Serviço de encontros inteligente

Eichmann, ensaio

2020.11.23 20:44 BlindEyeBill724 Eichmann, ensaio

Eichmann

Acho que li dois livros de Arendt, quais não me lembro (das mulheres da época meu coração se derrete por Weil). Sobre o nazismo sempre me aferrei à obra de Eric Voegelin, lembro-me que uma vez me disseram que Hitler era um ótimo orador para ter tido tanto sucesso na Alemanha, logo comentei, foram os alemães, simplesmente, que foram imbecis (e o contrário não me parece muito inteligente). O povo dos geniais Hegel e Goethe, monstros sagrados da filosofia e da literatura, pontas de lança do pensamento moderno (se pensavam no pensamento o que os franceses foram na política) foram subjugados por um tipo que, em toda faceta que se analise, era débil. As músicas eternas de Wagner soavam altas para esconder o ruído das moscas sobre a podre Alemanha da época. A banalidade do mal se manifesta de muitas formas, é sempre ilusório crermos imunizados, já ouviu falar do experimento de Milgram? Ele começou depois do julgamento de Eichmann e mostrou como as pessoas poderiam penetrar no mal pela simples obediência, mesmo na “saudável” democracia americana. Hoje em dia alguns veem na violência ainda um potencial redentor, o serviço exige que se quebrem alguns ovos, e assim se choca a serpente.
A Europa estava numa crise espiritual (não digo para puxar a sardinha para a religião), assim como, dir-se-ia, quase todos os países, aonde quer que se olhe, as pessoas se massificam (são proletárias no sentido romano, pessoas que na vida acabam por se dedicar não à vida da cultura, mas à procriação, o rico, nota-se, pode muito bem adentrar nessa definição), a democracia brinca com essa massa, a instrumentaliza, tenta mantê-la sob controle até o momento em que um ditador consiga rasgar o véu ilusório, a massa prescinde de política real, basta à massa o marketing, a massa é uma massa de modelar inflamável. Todos as concepções brincaram certa vez com o fogo, o revolucionário que investe no ódio social ao longo prazo cria associações partidárias que tenderão a dominar toda a psiquê de seus membros, os religiosos igualmente cedem à tentação, parecem querer isolar-se do mundo por ódio da criação, e pior, querem isolar os outros. Que os revolucionários reflitam sobre si mesmos. São Isaac da Síria nos diz que para nos isolarmos, até para sermos ermitões (e ele era um grande anacoreta) devemos ter “um amor ardente pela criação” (e que, portanto, não devemos fazer por raiva ou indiferença), o mais é tentação. Sabedoria do deserto contra o totalitarismo.
Mas a verdade é que, se a massa é condição necessária ao totalitarismo, não é só o proletário que dele participa, se pode imaginar, e imaginamos primeiramente, o pobre homem iletrado mas não se apreenderá o totalitarismo sem pensar sobre seu potencial de fascínio que o mesmo tem ao intelectual, sobre aquele que deixa de se reproduzir para somente participar da cultura. Sartre mostra ser tão domesticado quanto José, isso é, quando o comparamos com o espírito inquieto e grandioso de Albert Camus, esse fiel à sua consciência atenta. Hannah Arendt sentiu na pele a traição filosófica, Heidegger, o lendário filósofo que até hoje muitos não aceitam ser um ideólogo nazista , também cometeu uma traição (como podemos ver em Heidegger: The Introduction of Nazism Into Philosophy in Light of the Unpublished Seminars of 1933-1935, de Emmanuel Faye). É a traição dos intelectuais, tão vasta que o próprio criador do termo, Julien Benda, acabou caindo, o defensor da antes elevada classe caiu ele mesmo na vala comum bolchevista.
O homem massificado se torna uma abstração de si mesmo, uma categoria, se vê como um membro de um grupo e só consegue analisar a existência pela ótica grupal qual pertence, um espinho que machuque o dedo de uma única donzela é, para qualquer um com consciência moral intacta, o suficiente para parar toda a Terceira Guerra Mundial. Mas talvez não seja o suficiente alguns caldeirões de sangue herege aos santarrões e alguns caminhões de sangue burguês aos revolucionários. Aqui, o antissemitismo é somente uma manifestação ideológica concreta de algo que, no espírito ocidental massificado (massificação que inclui a cultura high-brow, de alto nível), pode ser substituído, banalmente, por qualquer um que se queira. O bode expiatório sacrifical na diabólica Imitatio Christi (imitação de Cristo). Não se pode tentar circunscrever uma posição adversário in toto, em sua totalidade, sem que nos coloquemos dentro da lógica mesma do totalitarismo, ademais, em nosso tempo, todos os lados acusam-se mutuamente de totalitários e, de fato, ambos podem se transformar nele, por algum deslize acidental ou pela derivação mesma de sua essência. Não diziam os nazistas que os megacapitalistas judeus eram totalitários em seu poder econômico e político? É para evitar essa “lógica retórica” que me atenho o seguinte, existem autores que afirmaram ser o nazismo de direita, outros de esquerda, e outros ainda que era uma terceira coisa, na grande maioria mais inteligentes que eu, como a posição que parece-me estar mais interessada na verdade é a terceira, parece-me a mais sensata, mantendo-se à consciência, é claro, o potencial autoritário latente em todas as posições.
Já dizia um papa que os erros continuam sendo eficazes pela parcela de verdade que possuem, se os megacapitalistas não são flor que se cheire para ninguém, acabam por culpar todo o povo judeu (é claro, ninguém merece o nazismo, nem eles), sinto que a mesma estrutura retórica é usada contra os Estados Unidos, como se tornaram símbolo do capitalismo mundial, condenam todo o povo americano.
Não podemos nos esquecer, é claro, da burocracia, a burocracia está para a lógica assim como a ética está para a inteligência viva, ela trabalha por abstrações, é fria, constrói hierarquias, constrói relações que escondem o valor infinito de cada vida (há uma tese de um teólogo ortodoxo chamado John Zizioulas que afirma que o conceito de pessoa conforme compreendido no Ocidente surgiu da fusão da ontologia grega com a Cristandade), as pessoas se tornam meramente números, tipos e classes. Relações cujo sentido último levar-nos-iam a um encontro face a face com uma Imago Dei (imagem de Deus), infinitamente profunda, são transformadas em relações mercadológicas e profissionais. Sempre me surpreendi com o fato de que, por mais que fossem milhares de pessoas trabalhando no projeto Manhattan, poucas eram aquelas que sabiam que estavam, na verdade, construindo uma bomba atômica, esse é um exemplo poderoso da alienação burocrática. Ficamos felizes com nosso salário no fim do mês, eis tudo. O que eu quero dizer com isso é mais ou menos o que um autor que não gosto muito chama de “mediação de ação” (Zygmunt Bauman). Mais especificamente, acho que nenhum autor destacou quão problemática é a vida moderna onde passamos mais de 8 horas por dia vivendo relações impessoais, até mesmo na iniciativa privada, a relação cliente/funcionário é quase a mesma da relação no serviço público chefe/servidor, as pessoas veem as outras pela ótica de uma abstração por 8 horas por dia, na hora dos momentos pessoais, como o amor, a família, simplesmente não conseguem articular uma vivência autêntica, mas como é um ponto comum no tiroteio esquerda-direita, me parece que alguém já deve ter dito isso em algum lugar.
O que as pessoas também não se atentam muito é como essa política do segredo parece infestar toda a estrutura política dos países, não existe uma clareza, existe propaganda política, existe direcionamento e ocultamento. Os totalitarismos têm uma estrutura típica de uma sociedade secreta, existem verdades esotéricas, para o Partido (à moda chinesa) e a versão popular. Mesmo em nossa sociedade não temos uma linguagem política precisa, claro, não estamos num regime totalitário, mas sempre parece que estamos próximos, devem passar um verniz, mas por detrás de uma linguagem técnica jurídica e contábil, quase não sabemos o que exatamente tem por projeto político os candidatos, por detrás dos jingles e dos chavões, onde está a autenticidade? Temos a impressão a população brasileira é composta por duas tipos de pessoas, os contabilistas e os advogados. Falta uma literatura política, cuja intenção seja chegar à realidade. Chamavam os assassinatos dos judeus de dar uma morte misericordiosa, pode-se julgar o grau de uma ditadura pelo grau de corrupção de uma linguagem.
Existe ainda mais, algo que nunca li, existe uma distinção do Cardeal John Henry Newman (creio que está na “Gramática do Assentimento”) sobre o assentimento nocional (notional assent) e o assentimento real (real assent), é uma distinção que eu uso muito para compreender a filosofia antiga, o assentimento nocional não implica nosso ser, é como quando lemos e assentimos à verdade da proposição “2+2=4”, isso não exige nenhuma mudança, não exige uma postura em todo nosso ser (em nossa imaginação e atos), existem certas coisas que exigem, entretanto, um assentimento real e não um assentimento nocional, a religião é uma delas, o fiel que lê a Bíblia como um conjunto de proposições, ou que lê Platão, Sócrates, dessa forma, simplesmente é um fiel hipócrita e um péssimo filósofo. Nestes termos podemos dizer que a banalidade do mal é, propriamente, o assentimento real (de todo o ser) à uma doutrina, assentimento tamanho que implica transformar toda a inteligência em um mero assentimento nocional, ele passa a enxergar o mundo como mera noção, sem implicâncias em seu ser.
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2020.11.19 17:53 janos-leite Implicações éticas das novas tecnologias da informação

As tecnologias da informação produzem diversas mudanças na vida social. Por exemplo, novas formas de interação social entre indivíduos distantes fisicamente, porém conectados pela internet. Esses efeitos podem parecer inofensivos, mas eles podem se tornar um assunto bastante controverso. A tecnologia não apenas expande o alcance da ação humana, ela pode alterar permanentemente o modo como as pessoas se relacionam e também o que elas esperam de uma interação social. A leitura que se faz da pessoa com quem se está interagindo, por exemplo, é diferente quando não se pode avaliar suas reações emocionais e componentes não-verbais da comunicação.
Com o avanço da análise de dados, é provável que os aplicativos consigam ler sinais gestuais ou analisar sentenças e tom de voz de uma pessoa, usando câmera e microfone, para compreender o comportamento de usuários melhor do que eles mesmos compreendem. Quais seriam as implicações éticas desse tipo de tecnologia?
Algumas técnicas de avaliação psicológica deveriam ser usadas apenas com consentimento, por uma pessoa qualificada e somente num contexto terapêutico. Usar certas técnicas de psicologia fora dessas condições é eticamente questionável, pois as consequências podem ser desastrosas. Infelizmente tais técnicas são rotineiramente usadas por praticantes de coaching, e podem ser aplicadas para novas tecnologias de interação também.
Em 1936, Dale Carnegie lançou um livro chamado Como fazer amigos e influenciar pessoas, que se tornou um dos mais vendidos e mais influentes de todos os tempos, sendo o grande responsável pelo estabelecimento do gênero conhecido como “auto-ajuda”. No livro, Carnegie enumera uma série de dicas para ser melhor sucedido nas interações. Mais recentemente, o livro recebeu uma atualização para o contexto da era digital, mostrando que ele permanece relevante nas interações via internet.
Essas técnicas podem realmente ajudar a lidar com pessoas, mas também podem dar ferramentas perigosas nas mãos de pessoas com traços sociopatas. Num artigo de 2013, Diane Brady lembra que Jeff Guinn, autor de um livro sobre Charles Manson, afirmou que “foi o treinamento de Carnegie que auxiliou a transformação de Manson de ‘um cafetão de baixo nível’ para um ‘sociopata assustadoramente eficaz’, que criou um culto de assassinos no final dos anos 1960”. Quando tais técnicas estão facilmente disponíveis para serem usadas por qualquer pessoas e para qualquer fim, problemas irão surgir.
A normalização de certas tecnologias sociais antes que compreendamos seu efeito na subjetividade também pode ser um problema. Isso já está acontecendo nas redes sociais, quando as técnicas para “ganhar mais seguidores” alteram a lógica das interações cotidianas. Fica pior ainda quando as novas gerações já tem sua socialização primária mediada por estas disposições.
Outro problema diz respeito à nossa relação com inteligências artificiais. O problema de convivermos com simulações pode ser observado no efeito de “dating sims” (simuladores de encontros) na sociabilidade. Estes softwares oferecem interações simuladas para pessoas que podem nunca ter experimentado interações daquele tipo na vida real, o que pode moldar suas disposições afetivas na vida real.
No artigo Should Children Form Emotional Bonds With Robots? (Crianças deveriam formar laços afetivos com robôs?), Alexis Madrigal cita Sherry Turkle para criticar essa mediação tecnológica logo na infância, afirmando que crianças precisam de conexões com pessoas reais para amadurecer emocionalmente. “Empatia simulada não é suficiente. Se os relacionamentos com brinquedos inteligentes nos afastam daqueles com amigos ou familiares, mesmo parcialmente, poderemos ver crianças crescendo sem as condições necessárias para uma conexão empática. Você não pode aprender isso com uma máquina”.
Mas será que nossa sociedade providencia um ambiente onde as relações com pessoas reais podem acontecer sem serem mediadas por tecnologias? Será que as condições para o amadurecimento emocional estão igualmente disponíveis para todas as pessoas? Será que adultos são emocionalmente maduros o suficiente para lidar com as novas tecnologias da informação?
Existe um risco de se perder referências sociais e emocionais, na medida em que a distinção entre uma reação humana real e uma simulada se dissipa. As relações emocionais maduras são resultado de uma construção social. Quando se interage com um robô dizendo “é só um robô, posso fazer o que quiser”, uma parte da empatia para com pessoas reais pode ser comprometida. Um fenômeno semelhante ocorre com a banalização da violência, quando se diz “é só um filme”. O efeito dessa perda de empatia afeta principalmente certo arranjo de gênero, classe e etnia, o que significa que essa perda de empatia se reflete principalmente numa intolerância racista, sexista e elitista.
No artigo Not every kid-bond matures (Nem todo vínculo infantil amadurece), Gabriel Winant, resenhando o livro Kids These Days: Human Capital and the Making of Millennials (Crianças nos dias de hoje: capital humano e a geração dos millennials), de Malcolm Harris, argumenta:
“A crise generalizada do capitalismo (…) impôs uma enorme pressão competitiva aos jovens para produzir ‘capital humano’. Esse conceito, essencial no pensamento econômico neoliberal, quantifica o conjunto de qualidades humanas economicamente valiosas, educação, habilidades, disciplina, acumuladas ao longo de uma vida. Está no subtítulo do livro porque é a chave do argumento de Harris. A mão oculta que molda millennials, produzindo nossos atributos estereotipados aparentemente diversos e até contraditórios, é o imperativo de intensificação, tanto exterior como também profundamente internalizado, da maximização do nosso próprio valor econômico potencial. (…) O capitalismo está comendo nossos jovens. É só nos alimenta com abacates para nos engordar primeiro.”
É possível deduzir uma relação entre a mediação tecnológica da interação e o conceito de capital humano? Isso exigiria mais pesquisa, porém permita-me adicionar mais um ingrediente nesta sopa e problematizar um pouco mais.
Num artigo de 2018, chamado How the Self-Driving Dream Might Become a Nightmare (Como o sonho da auto-direção pode se tornar um pesadelo), David Alpert pergunta: “O que acontecerá se aceitarmos que um certo número de mortes de pedestres é uma parte inevitável da adoção de veículos autônomos?”. Este problema ético não é tão simples quanto parece. Não basta, por exemplo, dizer que os pilotos automáticos são mais seguros que os motoristas humanos, porque há outros fatores nessa questão. Por exemplo: quem será responsabilizado por esses acidentes? A reflexão foi estimulada pela notícia da primeira morte num acidente com veículo auto-dirigido. A conclusão do autor é que, provavelmente, os próprios pedestres podem ser responsabilizados.
Alpert oferece o seguinte experimento mental: imagine que duas empresas concorrentes ofereçam o mesmo serviço de transporte com veículos autônomos. Uma delas tem um algoritmo um pouco mais cuidadoso para evitar acidentes, e a outra tem um algoritmo mais “ousado”, que resulta em tempos de viagens significativamente menores. Uma pessoa atrasada para uma reunião importante escolhe o serviço que oferece mais rapidez, e no caminho uma pessoa é atropelada. Qual a responsabilidade da pessoa que, sinceramente, só queria chegar mais rápido ao seu compromisso?
A tendência das empresas é dizer que há “pessoas demais na rua”, e as mortes de pessoas podem acabar sendo justificadas em nome da velocidade, do mesmo modo como já são quando se escolhe locomover-se de carro e não com transporte público.
As reflexões éticas em relação a veículos autônomos podem ser aplicadas a outras tecnologias. De quem seria a responsabilidade pela insensibilização e perda da referência emocional com o uso de tecnologias sociais, por exemplo?
Em What Do We Know About Autonomous Vehicles?, Carl Anderson defende que veículos autônomos terão muito impacto em nossas vidas, mas essa tecnologia “está chegando”, não há nada que possamos fazer para impedi-la de ser desenvolvida, e nossas reflexões éticas deveriam se restringir a pensar em como conviver com ela. Essa posição me parece irrazoável, determinista e eticamente injustificável.
A afirmação de que certa tecnologia “já está aqui” e não pode ser resistida implica num posicionamento ético que dá um valor intrínseco ao desenvolvimento tecnológico. É uma atitude determinista afirmar que algo será feito independente das nossas considerações éticas. É também um tipo de otimismo injustificado, que pressupõe que nenhum problema ainda desconhecido se colocará no caminho desse desenvolvimento, como de fato ocorreu em diversos momentos da história, em que se construiu uma imagem de futuro que na verdade não se realizou.
Anderson reduz as questões éticas relacionadas à essa tecnologia dizendo: “As pessoas morrerão à medida que desenvolvemos as capacidades de veículos autônomos – assim como as pessoas morreram durante o desenvolvimento de aeronaves, viagens espaciais ou submarinas. As grandes inovações sempre têm um custo humano, mas a tecnologia sem motorista deve resultar em uma redução significativa das mortes anuais de automóveis”.
O que acontece quando assumimos a validade dessa justificação? Pessoas irão morrer, mas essas mortes são apenas o “custo humano” de todas as tecnologias. Cientistas tem o direito de sacrificar vidas em nome do progresso científico? Se há uma linha que separa a ética da ciência da realidade do avanço científico, como traçá-la?
Anderson diz que:
“Inevitavelmente, os veículos se deparam com o “problema do bonde”, um dilema ético em que o veículo precisa decidir entre duas ou mais ações, cada uma com algum custo – por exemplo, o que é pior: desviar para a esquerda e matar quatro avós ou desviar à direita e matar uma mãe e seu bebê? Alguém tem que programar esses comportamentos ou desenvolver uma IA que aprenda a tomar essa decisão. Não temos certeza de quem tomará essas decisões éticas e quem as regulamentará.”
O problema é que, assumir que tal programação seria eticamente válida é um equívoco. Como Brianna Rennix e Nathan J. Robinson argumentam em The Trolley Problem Will Tell You Nothing Useful About Morality (O problema do bonde não lhe dirá nada útil sobre a moralidade), reduzir a ética a esse experimento mental não apenas é equivocado em termos filosóficos, como pode ser prejudicial à saúde mental, reduzindo nossa capacidade empática.
Outra afirmação de Carl Anderson: “Assim como os smartphones dissolvem a separação entre vida profissional e doméstica, os veículos autônomos também dissolvem a separação entre vida doméstica, de transporte e de escritório”. Em outras palavras, as pessoas poderão trabalhar enquanto comutam. E como exatamente este autor pensa que isso seria bom para a sociedade?
O mesmo tipo de problema ético vem à tona quando se considera o estudo dos algoritmos e técnicas de mineração de dados para maximização da influência em redes sociais. O que acontece quando descobrimos as técnicas mais eficazes de “incentivar pessoas a adotar uma linha de pensamento”? Na prática isso significa manipulação. A ideia de que precisamos “manipular ou ser manipulados” pode estar se popularizando na internet, com efeitos desastrosos para a ética.
Eu não vou tentar solucionar este problema aqui. Mas as implicações éticas complexas das novas tecnologias são um dos motivos que devem nos levar a questionar a lógica inerente ao progresso tecnológico de modo ainda mais fundamental do que temos feito até agora. A radicalização das críticas à modernidade pode transformar a filosofia num incômodo para entusiastas do progresso científico, mas pode também evitar a perda de aspectos fundamentais da nossa humanidade.
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2020.09.30 21:06 pla-to Escritor a beira do colapso

Olá, Brasil
hoje venho lhes apresentar meu dilema. Gostaria de saber se os senhores podem me auxiliar, pedindo desculpas antes mesmo de começar a me explicar, tendo em vista o tamanho do post que abaixo segue. Para quem possuir a paciência e a resignação de ler até o final, só me faz possível agradecer e lhe estender um virtual e fraternal abraço.
tl;dr>! sou bipolar e gosto de escrever, não tenho um puto no bolso pq anos de estudos de filosofia e literatura me tornaram incapaz de conviver de maneira adequada nessa sociedade doente, peço que avaliem meu trabalho para que eu saiba se há futuro para mim na escrita e, também, que me ajudem com conselhos profissionais, doações ou de qualquer outra forma para que eu possa sair da cidade em que resido e busque um lar em São Paulo.!<
Vamos lá:
Me chamo Dillon Hagar (meu pseudônimo literário) e tenho ~30 anos. Sou formado em direito e administração com pós em direito penal e processual penal, não que isso me seja muito relevante sobre quem sou, acredito estar mais relacionado com minha história.
Venho de uma família brasileira típica: meu pai e minha mãe são pessoas honestas que sempre trabalharam (muito) para buscar oferecer o melhor para meu irmão e eu. Apesar da extrema formalidade que compele o viver dos dois, sei por fato e história o quanto eles nos amam. Meu pai sempre foi um cara absurdamente estourado e - até recentemente - acreditei que isso era apenas seu jeito de ser, afinal o cara já engoliu alguns sapos da vida (principalmente de sua falecida mãe).
Talvez pelo fato de ser tão estourado, permiti por muito tempo que minhas escolhas fossem feitas por mim, afrontar seus nervosismos só me gerava ainda mais ansiedade. Sempre me foi difícil o necessário pisar em ovos com ele, já que somos pessoas absolutamente distintas. Seu ideal de justiça é através da imposição da violência enquanto sou apenas um advogado que valoriza o debate, defende as garantias e direitos individuais e conhece um pouco das mazelas do nosso maravilhoso Brasil.
Fiz uma faculdade (duas, se prezar pela especificidade) que me habilitaram em uma profissão que não tinha e nem tenho a menor intenção de exercer. Sou advogado inscrito na OAB/SP, porém tudo que gostaria de fazer é rasgar minha carteira e escrever... Mas tudo bem, quem não é advogado hoje, não é mesmo?! Está ai a primeira vaidade formal que meus pais têm sobre mim que não faço questão.
Tenho um irmão mais velho (programador) que, com muito trabalho e talento, conquistou seu lugar ao sol nesse caótico mundo e foi morar em outro país, longe do julgamento dos velhos.
Para o caçula, restou apenas buscar se adequar a sociedade de uma cidade do interior paulista (~180k habitantes, ~450km da capital) e tentar ganhar algum dinheiro, porém, como fazemos isso quando não há oportunidades e se é um desarticulado?
Aos melhores empregos, não possuo a experiência. Para os demais, sou mais qualificado do que deveria. Sou um monstro em pele de homem, vagando por uma cidade que não parece ter o interesse de recepcionar o diferente.
Veja bem, estimado leitor. Sei o que sou e, acredito que aqui, seja o momento ideal para dizer o bestial ser que lhes redige este biográfico texto. Minha sinceridade é inata, não posso me mostrar por menos, não me sentiria bem comigo mesmo se não soubessem quem realmente é aquele que lhes pede algo.
Há alguns anos - graças a uma maravilhosa ex-namorada psicóloga - contrariado pelos meus pais que sempre viram saúde mental como tabu, decidi buscar ajuda profissional para tratar o vazio existencial que existe/ia dentro de meu peito. Após 6~8 anos de terapia e pelo menos outros 6 de clínica psiquiátrica, me deparei com o diagnóstico de um distúrbio de personalidade, "Transtorno de bipolaridade tipo 2", dizem os médicos. Como gosto de informalidades, prefiro chamar apenas de "meus demônios".
"Meus demônios" por muito tempo foram seres antagônicos dentro de mim, me aterrorizavam madrugadas a dentro, cochichando terríveis segredos em meus ouvidos. "Nunca serás o suficiente", "aqueles que dizem te amar riem de ti", "se tens medo de monstros olhe bem para dentro de si: tu és o monstro de quem teme". Nada legal, não?!
Medicação e terapia me tornaram inteiros, ao menos o suficiente para que tomasse as forças necessárias para meu "salto de fé", me fazendo no começo do ano finalmente deixar o ninho e buscar continuar somente com a força de minhas próprias pernas. A felicidade e a esperança, como bem sabem do ano de 2020, talvez tenham sido mal colocadas.
Surpreendentemente, mesmo com as coisas nesse plano de existência estarem indo em vertiginoso declínio, me encontro de certa forma bem e feliz comigo mesmo. "Meus demônios" agora são seres integrados em minha convivência e, com a força do estudo da filosofia (valeu Platão, estoicos, Nietzsche e demais) e outros literatos, descobri que não deveria mais temer minha patologia. Aprendi que ela sou eu e eu sou ela, essa "bipolaridade" que me faz navegar tão rapidamente entre humores é tão somente parte de quem sou. Se antes terapia e remédios eram minha cura, hoje digo com propriedade que aprendi ser minha própria mirtazapina. Se antes chorar de manhã e sorrir de tarde eram um problema, hoje aprecio o fato de lacrimejar enquanto escuto Avril Lavigne (que mulher!), mais tarde me abraçar ao som de Dream Theater e me odiar durante as madrugadas com Witchcraft ou Void King. Música, filmes e livros: ai está minha eterna companhia.
Pois bem, caríssimos estranhos. Sou o que sou e não lhes nego! Talvez esse seja o maior trunfo do anonimato: a possibilidade de ser quem quiser ser sem o prejuízo de julgamentos. Espero que minha sinceridade não lhes seja ofensiva ao decoro, para os que até aqui chegarem agradeço de coração sua insistência.
Ok, ok, divago! Vamos voltar ao ponto central e motivo desse texto: Não tenho amigos e não tenho emprego. O primeiro se deve ao fato de que sou quem sou: aprendi a duras verdades que em uma cidade deste tamanho existem mais pessoas dispostas a lhe julgar do que entender. Geralmente fogem quando confesso ser bipolar ou quando descobrem que não tenho medo de estar em contato com meus sentimentos. Que coisa não?! Em pensar que o que todos buscavam era verdadeira conexão e honestidade nas relações. Mas tudo bem, quem lhes redige sabe que sua intensidade pode ser exigente demais da disponibilidade dos outros, procuro não julgar os que me negam.
Já para falta de emprego talvez seja uma consequência lógica do primeiro: Em entrevistas de emprego costumo ser brutalmente honesto com meu empregador (afinal não é o que pedem?), ainda há pouco me perguntaram qual o meu salário ideal, quando respondi minha quantia, balançaram a cabeça em sinal negativo e disseram que era incompatível. Quem sabe não tenha sido o mais inteligente de minha parte dizer que "talvez o senhor não devesse fazer perguntas que não lhe agradam a resposta, achei que me perguntavas o que eu queria, não que buscasse adivinhações". Sim, sou este tipo de ser. Novamente perdão se lhes ofendo, reafirmo não ser minha intenção. Convido-lhes para uma reflexão, amado desconhecido: poderia eu, sendo quem sou, responder diferentemente?
Pois bem, venho fazendo o que todo jovem advogado têm feito: ofereço serviços jurídicos a preços módicos (que costumeiramente adapto aos meus clientes como forma de lhes ajudar). Sou criminalista mas somente atendo um seleto tipo de criminosos: àqueles a quem se não oferecido um serviço jurídico, muito provavelmente seriam engolidos pela máquina punitiva do Estado e integrados ainda mais a criminalidade. Não advogo para partidos criminosos e muito menos para criminosos de carreira, minha intenção é ajudar e não livrar-lhes de culpa. Talvez percebam aqui os motivos de porque não me restar dinheiro...
A fim de dedicar ainda mais honestidade à este texto, digo-lhes que tenho sim uma amiga. Uma sócia-comparsa, somos advogados e trabalhamos juntos coletando moedas enquanto tentamos ajudar, um pássaro de asa quebrada por vez.
Novamente divago, perdão. Ao ponto então: bem, como já devem tê-lo percebido, meu negócio é a escrita. Amo escrever, estudo latim por hobby, leio dostoievisk por esporte. Escrevo poemas, poesias, cartas, o que quiser. Dedico aos meus amigos e conhecidos aquilo que posso oferecer: no meu caso é o que coletei em meus 30 anos de existência. Você tem um problema amoroso? Ótimo! Sou teu brother e lhe farei uma carta ou um poema para que sares o coração, ó jovem apaixonado! Lhe incomoda a ansiedade saber que em breve terá que defender seu TCC? Maneiro, meu parceiro! Dedicarei à ti minha próxima carta sobre como deve se lembrar que em outra época, também já se apavoraste com o vestibular mas, ainda assim sobreviveste. Aproveito para lhes endereçar esta pergunta: Como se sentiriam se alguém lhes dedicasse uma carta sobre um problema que você confessou ter? Enfim, acho que pegaram o fio da meada.
Atendendo ao meu cósmico chamado, neste mês de setembro (setembro amarelo, lembro), silenciei meus demônios e passei a publicar alguns de meus textos, cartas e poemas em meu facebook particular. Alguns receberam mais likes que outros, alguns nenhum. Devo dizer que me dói saber que minha escrita às vezes não é apreciada.
Ao verem uma suculenta oportunidade, meus "dêmos" foram atiçados e voltaram a sussurrar. A minha vantagem é que neste momento, estando um bocado mais forte que antes, pensei que talvez não devesse eu ceder a régua que me mede à mão de pessoas que porventura não são verdadeiramente amigas. Improvável mas possível...
Sem dinheiro, sem perspectiva e sem companheiros, resto sozinho vivendo em um apartamento quase de favor com um conhecido. Gostaria de me mudar para São Paulo e conhecer todas aquelas pessoas estimulantes que pertencem àquele maravilhoso lugar, porém, como, se não disponho de condições nem para minha terapia e psiquiatra? Às vezes sinto que minto para as duas quando digo que estou bem, em ordem de fazer diminuir o número de sessões e medicamentos que preciso despender. Mando meu amor para as duas: não fosse por elas e os descontos absurdos que me proporcionam (na terapia, pago menos da metade; na psiquiatra, 1/3), talvez eu não estivesse me sentindo tão radiante. Não é lindo quando profissionais se despem de sua autoridade e tocam outro humano apenas como um humano?
Pois bem, venho até este maravilhoso sitio eletrônico e lhes peço: sejam meus juízes! Convido-lhes ao meu julgamento e de meu trabalho. Serei eu um bom escritor? Existe um ofício por trás destra escrita? Poderia eu tudo abandonar e - quem sabe finalmente - me encontrar alinhado e instrumentalizado pelo senhor universo através da bela e indescritível energia cósmica enquanto escrevo? Acredito que o tempo e os senhores podem me dizer...
Encaminho o link de meu tumblr (tumblr pra escritor br, ok, isso é ainda de se analisar), nele encontrarão algumas de minhas escritas publicadas nesse mês de setembro. Caso a paciência e a boa vontade acompanhem os senhores e senhoras, peço gentilmente que leiam, avaliem e sentenciem neste post o que considerarem pertinente. Caso estejam cansados de minha presença e queiram buscar apenas o poema mais lido, acredito que tenha sido este.
Para aqueles que realmente creem no valor de meu trabalho, também anexo um link para doação em paypal, onde aceito qualquer valor que puderem me ceder. Por ora, fica desabilitado a possibilidade de subscreverem em assinatura as doações, antes avaliarei se há futuro para mim nesse negócio de escrita.
E para você, que precisa de alguém que lhe escreva uma carta, um poema, uma poesia, ou que tenha, sabia ou queira um empregado escritoredatofaz tudo, sabia que recebo pedidos por email ( DillonHagarF ARROBA gmail PONTO com ) ou até mesmo através desse post ou direct.
Há aqueles que me chamarão de tolo por acreditar na bondade de estranhos na internet, devo lhes dizer que não me importo. Somente atendo minha própria natureza assim como acredito que cada um deve atender a própria. Estejam todos abençoados e em paz: aos que me ajudarem, mais, aos que me ignorarem, em igual proporção.
Por fim, agradeço todos que chegaram até aqui. Vocês são seres maravilhosos e o dom de sua curiosidade proporcionou a um desconhecido na internet um momento de felicidade. Um profundo e sincero obrigado! Sintam-se amados até mesmo por quem lhes desconhece!
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2020.09.28 16:00 Vedovati_Pisos 7 dicas alavancar as vendas da academia em épocas de baixa

O mercado de academias costuma ser conhecido por ser sazonal com duas safras por ano e duas épocas de entressafras. O exato momento do ano que essas safras ocorrem, dependerá muito de qual região do país estamos falando.
Só para citarmos um exemplo, enquanto em cidades como Florianópolis a baixa ocorre em janeiro e fevereiro nesses mesmos meses São Paulo aproveita sua primeira grande safra. As academias paulistas bomba no inicio do ano.
Mas em geral, é importante que os gestores de academias em todo pais tenham em mente que o Brasil possui 2 momentos de pico de visitação. Outros fatores que influenciam
1 – Identifique quais as épocas de alta e baixa em sua academia
O primeiro período de alta consideramos o mais importante. Ele costuma durar entre 3 e 4 meses. O segundo momento de pico é curto com duração média de dois meses. Vale ponderar que em algumas regiões, esse tempo pode durar ate 3 meses e é esse que faz o pior dano na economia da academia.
2 – Compare os resultados e conquiste melhores resultados
As academias devem ser medidas visando o que ocorreu no ano passado e estabelecer as curvas que ocorreram no ano anterior em relação às vendas e saída de clientes.
Através dessa estratégia, os gestores conseguem perceber quais as expectativas dele em relação ao mesmo período do ano anterior ou mesmo se seus esforços estratégicos surtiram efeitos.
3 – Descubra quais as curvas de visitação em sua academia
É primordial que os gestores identifiquem e entendam bem quais são as curvas de visitação. Isso é muito importante porque todas as campanhas que serão criadas e
implantadas, inclusive as sazonais, têm que ser programadas com ate 60 dias de antecedência.
O motivo é preparar o material, realizar parcerias enfim para que as coisas ocorram como realmente devem ocorrer pensando em um planejamento mínimo capaz de eliminar a entressafra no sistema de gestão mais inteligente.
4 – Mude a fachada para chamar a atenção de quem passa
Uma vez identificada quais as épocas de maior baixa em sua academia, você pode aproveitar para realizar uma mudança de fachada, por exemplo, fazendo uma nova pintura.
Uma estratégia simples, mas que poderá chamar a atenção das pessoas, mesmo aquelas que sempre passaram por ali, aumentando suas visitas em 15%.
5 – Mantenha um banco de dados atualizado
Uma situação interessante, que você gestor deve se atentar é que para cada cliente ativo em sua academia outros dez já passaram por ela.
Por essa razão, é importante manter a base de dados bem alimentada.
A cada novo visitante, anote seus dados, principalmente os de contato, para que posteriormente você crie eventos e campanhas para convida-los a usufruir de seus serviços em épocas de baixa procura.
Essa ação é indicada, por exemplo, como uma das estratégias para conquistar clientes que nunca pisaram numa academia.
6 – Conquiste os clientes que já passaram
Recomendamos começar pelas pessoas que deixaram a academia há um ano ou mais, pois quanto antes você coletar seus dados mais precisos e eficientes eles serão para uma futura estratégia de convites. E creia, você ira precisar disso.
Essa pratica deve se tornar parte integrante nas abordagens realizadas por suas recepcionistas. são os dados devido a mudança das pessoas de endereço, telefone etc.
Parte dessas pessoas que você entra em contato podem estar praticando atividades físicas em outro lugar e é legal focar nas que saíram em 1 ano e 2 anos para serem o alvo principal.
Normalmente esse numero é o mesmo do de clientes que você tem durante um ano na academia.
Estatisticamente, se fizer um contato bem feito, com argumentações bem elaboradas e eventos bem elaborados você conseguirá que pelo menos um de cada dez contatos venham para a academia e realizem a matricula.
7 – Convide seus alunos a convidarem seus amigos
Outro tipo de campanha forte e envolvente é fazer com que seus alunos convidem seus amigos para a academia. Porem, no caso de época de baixas, o que deve ser oferecido como incentivo tem que ser mais do que apenas um free pass de 1 a 15 dias.
Junto com os dias livres, pode ser organizado um evento ou encontro, que fale de bem estar ou qualidade de vida. Ofereça também algo concreto, por exemplo, uma avaliação física gratuita e mais 15 dias de academia com acompanhamento especial para definir seus objetivos e torna-los possíveis de alcançar.
O premio nesse caso tem que ser dado para a pessoa que trouxe esse cliente para o evento que seria um cliente vendedor.
A estatística mostra quando isso é muito bem feito você consegue trazer para cada cliente que tem na sua academia pelo menos mais uma venda acontece.
Se somarmos as duas campanhas que atingem públicos diferentes teremos 20% total dessa academia e isso bem feito deveria eliminar a necessidade de você fazer mais coisas embora há diversas possibilidades.
Os melhores pisos para a sua academia estão aqui!
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2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
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2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
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2020.02.14 00:39 Cergal0 [Sério] Mudança de área profissional

Caríssimos, pretendo mudar de área de emprego mas estou com alguma dificuldade em perceber exatamente aquilo que eu quero ou se existe mesmo aquilo que eu quero. Iniciei a minha formação com engenharia mecânica, mas depois de estar um tempo a trabalhar comecei a interessar-me mais pela programação pois sempre foi algo que gostei de fazer e tentei aprender por mim. Este interesse em sistemas de IT é mais orientado para coisas práticas, objetivas e relacionadas com a minha área de formação tipo robots autónomos, linhas de produção, máquinas inteligentes, automatização de merdas etc. Por causa disto, achei boa ideia tirar um mestrado em gestão de informação, pois é uma área que está a crescer e sinto que na indústria, em Portugal, ainda estamos numa fase muito embrionária pelo que no futuro vão ser necessários profissionais que percebam tanto de fábricas como dos "computadores".
Pelo menos esta é a minha ideia.
Acontece que neste momento sinto-me um bocado encalhado pois não encontro nada relacionado com aquilo que eu quero. Só encontro vagas em consultoras, ou empresas de serviços e esse não é de todo o objetivo, tal como disse em cima, eu gostava de me manter ligado à indústria mas numa componente de desenvolvimento de sistemas de IT, internet of things, recolha e tratamento de informação, etc. A minha questão é, isto existe? Existe alguma necessidade de profissionais que percebam e já tenham tido contacto com a realidade industrial, mas que ao mesmo tempo desenvolvam projetos de IT?
Começo a sentir-me em "terra de ninguém", num lado sou um engenheiro mecânico que tirou um mestrado "numa merda que nem sei bem para que serve" e no outro sou um gajo que tirou Gestão de Informação mas que não sabe programar.
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2019.11.07 03:25 Mustafasustenido Completei 30 anos, virei mago e isso me abalou profundamente

Caros colegas redditors.
Buscarei a melhor forma de contar essa história aqui e farei um TL;DR no fim, mas tentarei não deixá-la massiva.
Então... venho de uma família classe média alta onde o que mais tive foi amor e carinho.
Em minha adolescência viajei bastante pelo mundo com minha família, estudei em uma escola excelente, fiz muitos amigos (alguns hoje são meus irmãos de vida) e posso dizer que foi o melhor período de minha vida.
Porém nunca consegui me relacionar com nenhuma mulher. Terminei o ensino médio sem nunca ter dado um beijo. Só tendo encostado na mão de uma menina 1x e passando por dezenas de rejeições (perdi as contas da quantidade de vezes que me apaixonei e não fui correspondido).
Sei que isso, em partes, se explica pelo fato de eu ter sido o ser humano mais magro (com saúde) que já conheci. Sem entrar em muitos detalhes meu IMC era por volta 13, eu era literalmente só o osso. Mais de 1,80m e menos de 50 kg (muito tempo depois descobri que é simplesmente a genética, mesmo malhando existe uma barreira pra meu peso e cada segundo de sedentarismo me faz emagrecer), exames perfeitos. No fim da adolescência entrei pra academia e consegui um corpo magro normal, porém o estrago na minha autoestima já estava feito (apesar de eu ter convicção que a qualquer momento, naturalmente, as coisas aconteceriam e eu acharia alguma menina pra me relacionar).
Passei em uma das melhores faculdades do país, no curso que eu queria, saí de casa pra morar sozinho e estudar, tinha tudo pra minha vida continuar as mil maravilhas, mas encontrei meu primeiro problema. O local de estudo só tinha homens e, como eu não era muito de sair, me bateu um grande desespero de continuar BV por muito tempo, já que não teria contato com mulheres... Enfim, uma depressão apareceu e fiquei quase 2 anos praticamente na rotina casa-faculdade-casa (além de minha família ter colocado quase uma babá em minha casa, pra que eu pudesse ficar mais relaxado). Foi com sobras o pior período de minha vida, em momentos de crise não conseguia comer praticamente nada, em momentos normais eu tinha que empurrar cada refeição. Voltei pra um estado de muita magreza (IMC 14,5), parei de fazer atividades físicas... minha família percebia pouco porque, além da distância, meu desempenho continuou excelente. Meus amigos de infância estavam em outras cidades e meus amigos da faculdade não pareciam notar nada (até porque já me conheceram nesse estado).
Consegui começar a superar essa situação depois de um grave problema de saúde na família. Entendi que nada do que eu sentia se justificava com tanto sofrimento que eu estava vendo daquele ente querido próximo a partir. Tanto que, depois da sua morte meus pensamentos voltaram a funcionar quase que normalmente (algumas recaídas de vez em quando) e voltei a ter aquela certeza adolescente que a qualquer momento naturalmente eu ia encontrar uma parceira.
Resumindo bastante, terminei a faculdade e comecei a trabalhar numa das maiores empresas do país, em uma cidade média do Brasil. Em pouco tempo eu assumi uma função de gestão e hoje estou quase no topo da carreira. Além disso dou palestras periodicamente para centenas de pessoas e ministro um curso noturno na área em que sou referência. Minha remuneração é o equivalente a 1 carro popular a cada 2 meses.
Ah... não possuo redes sociais
O que vou falar agora pode ficar parecendo querer me "gabar", mas é só pra enaltecer a gravidade da situação e o quanto tudo pesa em mim.
Meu modelo de gestão virou referência na empresa (e no mercado em geral), por criar uma equipe "família" (tenho muita facilidade em analisar perfis de pessoas e criar ambientes de trabalho que funcionam de maneira leve), os funcionários da empresa simplesmente me vangloriam pela forma como eu levo as coisas e resolvo as situações. Um dia desses um antigo auxiliar de serviços gerais (o qual sempre incentivei [verbalmente e financeiramente] a terminar o curso que estava fazendo) que conseguiu vaga de assistente administrativo em outra empresa veio pessoalmente me agradecer (até uma lembrança me deu, que guardo com bastante carinho) por conta dos ensinamentos que passei pra ele, que, segundo o mesmo, "foram de grande importância para o crescimento na carreira dele".
Dou palestra pra centenas de pessoas por mês, pra falar sobre a área que domino e está em ascensão em todo o mundo. As palestras tem sido um sucesso, e a plateia aumenta a cada ciclo. Sempre tive muita facilidade pra falar (e prender a atenção das pessoas) em público.
Minhas aulas noturnas também correm de maneira bastante positiva. Sempre tive prazer em ensinar e ver o aprendizado de cada estudante (principalmente os que mais tem dificuldades) me dá uma sensação de dever cumprido muito grande.
Além disso tudo sou multi-instrumentista. A música é parte de mim e sempre quis compartilhar com o máximo de pessoas possível. Dessa forma, sou um dos fundadores (e professor) de um projeto comunitário com objetivo de transformar a vida das pessoas de uma maneira efetiva.
Dito isso, volto pra o ponto do desabafo do tópico.
Completei 30 anos, sou BV e, obviamente, virgem e isso vem me destruindo a cada dia que passa. Todas as pessoas próximas a mim já tem família, ou pelo menos namoradas sérias/noivas e eu mal encostei na mão de uma mulher.
Analisando friamente (uma das minhas maiores virtudes são as autocríticas) sou um homem nota 7 de rosto (sei que nos achamos mais bonito do que o que somos, mas já descontei uns pontos, risos) e 3 de corpo. (recentemente estava melhor de corpo mas ansiedade que venho sentindo nos últimos meses vem me corroendo, e tenho total consciência que não posso por a desculpa dos meus insucessos integralmente no meu corpo)
Ninguém sabe que sou BV e meus dois amigos mais próximos sabem que sou virgem.
Mensalmente recebo a sugestão de procurar uma prostituta, mas meu EU me diz que isso seria a maior prova que sou incapaz de conseguir um primeiro beijo com uma moça que gostasse de mim de verdade (e nem sei se é recomendado beijar prostitutas, risos).
Meus amigos já tentaram me "armar" com conhecidas em festas, mas nas duas vezes que isso aconteceu notei que as moças não queriam e nem tentei forçar a barra. Acabei saindo das situações muito pior do que antes, sentindo a rejeição na pele mais uma vez. Sabe aquela facilidade pra falar em público? Isso desaparece integralmente em contatos sociais diretos com muitas pessoas do sexo feminino (principalmente em festas, que nunca gostei e hoje em dia mal vou, a não ser as do trabalho ou quando faço parte da banda). Na verdade ir em festas no geral me cansa MUITO, vou uma vez por ano, depois de muita insistência dos amigos, porque sei que vou ficar lá 5-6h com cara de paisagem, sem despertar o interesse de nenhuma mulher random por conta de não conseguir ter a mínima postura e não ter um corpo tão legal pra gerar interesse numa numa festa.
Tenho total convicção que, se eu fosse uma mulher, jamais pegaria um cara inibido como eu num ambiente de festa, eu simplesmente me reduzo a um pedacinho de nada, sei que isso é muito por conta da baixa autoestima devido ao meu corpo e às rejeições femininas que sofri na adolescência.
Minha rotina hoje em dia se resume basicamente a:
Trabalhar de segunda à sexta o dia todo (e noite), tento ler algo pra relaxar;
Sexta à noite (pelo menos a cada 15 dias) saio com meus amigos (e suas esposas) pra um barzinho;
Sábado trabalho mais um pouco, assisto futebol e vou dar aula de música para o pessoal no projeto;
Domingo passo o dia feliz com minha família, à noite vou à missa pra relaxar um pouco o espírito e me preparar para a semana.
Sinto um pouco de tristeza principalmente ao escrever que passo o "domingo feliz" com minha família, com um toque de desdém. Porque realmente tinha tudo pra ser algo perfeito, mas meu EU interno já passa cada minuto, em cada uma dessas atividades, pensando no quanto de vida eu perdi por chegar aos 30 anos sem ter me relacionado com uma mulher e saber que esse tempo não volta atrás nunca.
Saber que jamais vou ter uma namoradinha aos 15 anos, conhecer aos poucos e sem maiores pressões como um relacionamento funciona. Ir de mãos dadas ao shopping, assistir um filme, trocar palavras, olhares... Cada vez que penso nisso parece que uma parte de mim fica pra trás, não consigo exprimir com palavras o vazio que isso me faz sentir.
O estopim para que eu resolvesse desabafar e (com fé em Deus) procurar ajuda profissional foi o seguinte:
A empresa é composta majoritariamente por homens e mulheres de mais idade, mas possui algumas estagiárias e o pessoal sempre me fala na resenha (não sei até que ponto é resenha [na verdade eu sei que não é resenha]) que elas fazem de tudo pra se envolverem comigo (lembra aquela história de que sou bom pra traçar perfis de pessoas e montar equipes? Pois é, quando o assunto é relacionamento com mulheres eu não sei interpretar os sinais mais básicos). Obviamente eu jamais me envolveria com uma estagiária (até mesmo uma ex-estagiária), por razões profissionais, mas já recebi muitos "convites" via Whatsapp, que acabo levando na brincadeira pra não queimar minha reputação.
Enfim, recentemente chegou o ponto que resolvi que meu psicológico era mais importante do que meu medo de "me queimar" e comecei a conversar com uma estagiária (10 anos mais nova e de família humilde[claro que não ligo pra isso, só estou dizendo aqui pra que você me ajudem a interpretar a situação depois]) que já estava terminando o contrato e ia ser efetivada em outra cidade. A iniciativa foi minha (e isso me fez ter ainda mais vontade de que desse certo), mas, mesmo sendo um poste, eu sempre notei a forma que ela me olhava, sorria e nas conversas que tivemos nossas ideias se batiam muito, além de ela me atrair fisicamente e ser bastante inteligente.
Começamos a conversar diariamente via Whatsapp (evitávamos contato pessoal por conta do ambiente da empresa). Pouco antes do contrato dela acabar surgiu o momento e falamos mutuamente do que sentíamos, dos problemas que isso podia trazer pra vida profissional, mas acabamos concordando que valeria a pena tentar algo. Um tempo depois resolvi chamá-la pra sair e ela aceitou, mas veio com uma conversa que não era pra eu criar expectativas e que ela "não era fácil" (com outras palavras mas em resumo era isso). Confesso que achei meio estranho, há pouco tempo havíamos nos aberto um para o outro, mas não entendo nada de mulheres mesmo, então vamos seguir a história.
Tive o primeiro encontro da minha vida (sim, aos 30 anos, repito) levei ela pra jantar em um local que não fosse o mais caro da cidade (pensei que ela se sentiria mais confortável caso pudesse pagar o que havia consumido, se desejasse).
Saí de casa bastante nervoso, mas seguindo à risca tudo que os tutoriais on-line tinham me ensinado. Asseado, perfumado, bem vestido (como se eu já não vivesse assim...) e tentando o máximo possível ser simplesmente eu.
Chegamos ao local (um pouco preocupados que algum conhecido nos visse), mas a coisa fluiu tão naturalmente que, aos poucos o nervosismo foi passando. Aproveitamos o momento "livres" e conversamos sobre muita coisa ao longo de quase 3 horas (sem nenhuma forçação de barra, a coisa realmente acontecia de maneira espontânea), falamos um pouco sobre nossas vidas, nossos anseios, falamos mal das pessoas das mesas vizinhas... isso tudo com intensas trocas de olhares. Chegou um ponto que tomei coragem, segurei na mão dela e, pasmem, ela deixou. Fiquei ali de mãos dadas com ela (foi uma das melhores sensações que já tive na vida), trocando carícias e conversando por mais alguns minutos, quando decidi que era hora de sair e tentar algo.
Como já disse, antes do encontro eu estava muito nervoso, mas depois de todo aquele tempo com ela eu percebi que as coisas realmente iam acontecer de forma bastante natural.
Saí do restaurante abraçado com ela, fomos em direção ao carro (estava num local isolado), fiquei de frente com ela, falei 2 palavras e fui em direção ao meu primeiro beijo.
Ela simplesmente se virou e disse "na-não" (foi mais em forma de ruído de negação, mas achei melhor escrever assim), nesse momento não entendi mais nada (teria interpretado algum sinal de forma errada? Deveria insistir?).
Dei um abraço nela falei algumas palavras, tentei novamente e recebi mais uma rejeição.
Não soube o motivo (até agora não sei), mas preferi não insistir, demos um abraço demorado e levei ela pra casa, conversando sobre outras coisas.
Faz pouco tempo que isso aconteceu e ainda trocamos algumas palavras via Whatsapp. O que me deixa tranquilo é que eu pelo menos tirei a bunda da cadeira e tentei. Mas a frustração de mais uma rejeição é algo incomensurável pra mim. Não sei quando terei contato com outra mulher a esse ponto (estatisticamente eu tenho contato, com chances de dar algo, com uma mulher a cada 2 anos, e, é claro, nunca deu certo)
Com relação a esse encontro (eu queria até a opinião dos colegas redditores) eu trabalho com 3 hipóteses:
1 - Ela quer algo, mas não quis se mostrar fácil/interesseira (como as outras estagiárias que mandam mensagens diretas pra mim por Whatsapp) e está esperando outro convite meu para que possamos sair novamente e finalmente ocorra algo;
2 - Ela não quer mais nada por conta de uma das milhares de coisas que podem estar se passando na mente dela;
3 - Isso foi a prova de que meu corpo possui alguma substância não identificada, incolor, inodora e insípida, que cria uma barreira contra mulheres.
Não sei se vale a pena insistir, estou tão frustrado que não consigo ter forças pra um contato mais direto (apesar de sentir muita falta das conversas com ela);
Pra finalizar, meu desespero hoje é tão grande que penso até em fazer uma rede social (coisa que nunca tive) só pra me "amostrar" (algo que é totalmente contra meu perfil). Mostrar meus carros, minha casa na praia, minhas viagens semanais, meus momentos com os amigos, sei lá, qualquer coisa que pudesse gerar alguma curiosidade sobre mim para as mulheres.Mas aí me olho no espelho e percebo que quando chegar a esse ponto eu realmente não estarei mais sendo eu e algo de muito errado (além do que já está se passando) estará acontecendo.
TL;DR: Homem, 30 anos, família perfeita, muitos amigos (alguns verdadeiros irmãos), trabalho dos sonhos, ótima situação financeira, porém BV e virgem.
Fazendo um resumo desde a adolescência:
Comecei a aprender sobre música achando que com isso um relacionamento viria naturalmente (ao menos a música virou uma paixão real em minha vida);
Comecei a fazer academia achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a cursar um dos cursos mais concorridos do Brasil achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
Comecei a trabalhar e hoje ganho mais do que 99% da população brasileira achando que com isso um relacionamento viria naturalmente;
E não veio. Hoje não sei mais o que buscar ou a quem recorrer... A ansiedade (ou seria depressão?) está chegando a tal ponto que me vejo totalmente refém de alguns pensamentos que me atrasam bastante. Eu não consigo, por exemplo, passar mais de 15 dias (ou ir pra um lugar distante) longe da minha família/amigos próximos. Começa a bater um desespero (tipo os que eu sentia na depressão quando tinha 20 anos) e começo a pensar que eu poderia estar ali com uma companheira, aproveitando cada segundo. Já desisti de diversas viagens para fora do Brasil por conta disso. Coisa que fazia naturalmente na adolescência.
Sinto que a cada dia a bolha vai aumentando, a ponto de começar a atrapalhar nos meus trabalhos e vida pessoal, viagens a trabalho para fora do estado estão se tornando um sofrimento (as consequências de todos meus medos recaem sobre meu sistema digestivo), acordo à noite desesperado com medo do dia de amanhã, comecei a procrastinar algumas coisas e perder o tesão em diversas situações de prazer do dia a dia (não consigo mais jogar videogame por achar que isso me torna ainda mais virgem e inútil. A própria masturbação se tornou um momento de tristeza. Tocar piano, violino, violão, etc sozinho muitas vezes só me traz dor).
Cada elogio que recebo na empresa, palestras, aulas, crianças no projeto de música, família, amigos, parece aumentar o vazio que sinto.
Gostaria de simplesmente arrumar uma companheira e viver a vida a dois, viajar, compartilhar momentos, beijar, quem sabe, caso a coisa desse certo, ter filhos, criar uma família...

De qualquer forma, me sinto um pouco mais leve por ter passado 2 horas escrevendo e tendo exprimido todos esses sentimentos pela primeira vez (pra o lado de fora de minha cabeça).
Estou pensando em procurar um psicólogo (creio que já devia ter feito isso desde a minha primeira depressão lá nos 20 anos). Como garantir que eu, sendo uma figura conhecida na cidade não terei todas as minhas histórias íntimas divulgadas (sei que psicólogo é uma profissão muito séria, peço até desculpas de antemão caso essa pergunta ofenda alguém, mas uma pessoa má intencionada poderia destruir toda minha reputação externalizando minha intimidade). Na verdade a pergunta é "como escolher um psicólogo?". Caso não dê certo é normal trocar de psicólogo?
Obrigado a todos pela atenção.
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2019.06.28 16:26 JoaoRambo13 Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38

Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38
Como ainda não existe um lugar em que se possa debater o plantel próxima época, e com o início dos trabalhos a chegar, estou a criar aqui esse espaço, com o intuito de fazer algo um pouco diferente:
  • Mais opinativo e com o intuito de perceber qual a vossa opinião em relação a como deveria ser composto o plantel para a época 19/20
  • Dar a conhecer todos os jogadores que neste momento se encontram nos quadros do Benfica
  • Perceber que posições deveriam ser reforçadas e quais os jogadores que gostariam de ver com o manto sagrado
  • Oferecer a minha opinião pessoal

Vou começar por identificar todos os jogadores disponíveis para se apresentarem na pré-época 19/20:
https://preview.redd.it/b9dcz48xi4731.png?width=1653&format=png&auto=webp&s=2bcda82dae54f055cf704045ae16ed9a1a0456e5
Resumindo, Bruno Lage terá a sua disposição 50 jogadores. Relembro que entretanto o Benfica já confirmou a saída de alguns jogadores e garantiu a presença na fase de grupos da Champions, tendo portanto realizado um encaixe de 135M:
  1. Talisca (Guangzhou Evergrande) - 5.8M emp + 19,2M venda = 25M
  2. Raul Jimenez (Wolverhampton) - 3M emp + 38M venda = 41M
  3. Luka Jovic (Eintrach Frankurt) - 7M venda + 13M fut. transf. = 20M
  4. Dawidowicz (Hellas Verona) - 3M venda
  5. Salvador Agra (Légia Varsóvia) - 0,5M venda
  6. Nélson Semedo (Barcelona) - 5,1M clausula
  7. Entrada directa na fase de grupos da Champions - 42M
Realçar que está eminente a saída de João Félix e de Carrillo para as arábias, o que resultaria num encaixe de mais 135M para os cofres do Benfica.
Em relação a entradas estamos perto de garantir Raul de Tomas por 20M ao Real Madrid, já garantimos Cádiz ao Setúbal e Caio Lucas a custo zero.
Antes de começar a minha reflexão sobre o plantel do Benfica para esta época, e de modo a justificar um pouco a minha visão, fiz a mesma com a premissa que estamos em ano de Europeu e com um treinador que não irá fazer má figura na Europa.

Baliza :
  • Odysseas Vlachodimos chegou este ano e pegou de estaca. Correu-lhe melhor a primeira metade da época que a segunda, muito por causa do futebol medíocre que praticámos e consequente processo defensivo. Sou da opinião que para consumo interno serve, para atacar a Champions não. Foi campeão, é titular da sua selecção e está valorizado. Se surgir uma boa proposta seria interessante aproveitar a oportunidade.
  • Mile Svilar foi a nossa segunda opção mas tarda em demonstrar todo o seu potencial. Penso que a pressão que tem no Benfica neste momento não lhe é favorável, embora não gostasse de o descartar em definitivo. Um empréstimo a uma grande escola de guarda redes como o Rio Ave (por 2 anos dando-lhe estabilidade para se desenvolver) seria ouro sobre azul.
  • Bruno Varela, o patinho feio para os adeptos. Não é mau guarda-redes, mas não serve para o Benfica. Deveria ser emprestado para um campeonato periférico (Grécia, Turquia, Arábias) com uma clausula a rondar os 5M para se correr bem ser facilmente batida. Enquanto escrevia este texto Varela foi emprestado ao Ajax*
  • André Ferreira e Zlobin, dois produtos do Seixal que contam para as inscrições na UEFA. Zlobin tem potencial para ser muito bom guarda-redes e não sei se não lhe faria bem um empréstimo para ser testado. André tem qualidade (e demonstrou-a no ínicio de temporada ao serviço do Aves) mas não para o Benfica. Um dos dois terá de ser o 3º guarda redes para este ano. Se sair Vlachodimos ficariam os dois, na sombra do que chegaria. Depois de este post ter sido publicado, e embora nao vá alterar o plantel final, André Ferreira foi confirmado em definitivo no Santa Clara\*

Apesar de não ser uma posição carenciada de reforços a verdade é que, para um Benfica que almeja algo mais que o campeonato interno, é necessário um improvement. Vlachodimos tem qualidade, mas não está ao nível do Benfica que tem de lutar por um lugar entre as 8 melhores equipas da Europa.
A minha ideia seria Wuilker Fariñez, tem 21 anos e é um dos mais promissores guarda-redes do mundo. O venezuelano tem até a vantagem de jogar num parceiro nosso, o Millonarios. Aquilo que tem demonstrado nesta Copa América, e não só, demonstra que é mais um daqueles casos que não engana - tal como Oblak ou Ederson não o conseguiríamos manter por mais do que 2 anos. Durante esse período para além de contarmos com um excelente guarda-redes, teríamos um miúdo na sua sombra a crescer e outro fora de portas mas a ser acompanhado bem de perto. Outra excelente opção, mas bastante improvável, seria Andriy Lunin guarda-redes do Real Madrid e campeão Mundial sub-20 pela Ucrânia.

Lateral Direito :
  • André Almeida é o meu patinho feio do 11 titular do Benfica. E, de facto, há alguma validade para que o seja. Ainda assim é inegável que André Almeida tem estado a bom nível e tem números que o comprovam. É um jogador com anos de casa, com experiência em momentos de glória e de decepção e perfeitamente integrado com os valores Benfiquistas, que tanta falta faz ao plantel. Hoje, André Almeida é subcapitão da equipa e duvido que alguma equipa fosse capaz de dar pelo 34 um valor monetário que chegasse sequer próximo do valor que o Benfica lhe dá.
  • Ebuehi é uma incógnita. Apesar de ser internacional pela selecção da Nigéria ainda nada mostrou ao serviço do Benfica devido à grave lesão que o fez perder toda a época. Não sei se terá cabimento uma das vagas do plantel ser dele, mas tem na pre-época uma oportunidade para agarrar o lugar e descansar os adeptos em relação à sua qualidade.
  • Pedro Pereira formado no CFC, saiu em 2015 para a Sampdoria e de lá, já com experiência na Serie A, regressou ao Benfica para se impor na equipa principal. Infelizmente, as expectativas saíram defraudadas, visto que mostrou muito pouco para quem tanto prometia. Assim sendo, foi emprestado este ano ao Génova, onde acabou por se impôr como titular. Não sei se é cedo para desistir de Pedro Pereira, mas a verdade é que do que vi dele nada me agradou.
  • Alex Pinto apesar de prometer muito, ainda não deu o salto que se esperava, e já lá vão duas épocas de equipa B. Não tem qualidade suficiente para integrar a primeira equipa, mas, dado que só tem 20 anos, não é altura de desistir já dele. Ficar na equipa B também não faz sentido, dado que há miúdos talentosos para promover. Um empréstimo é o que faria mais sentido. Enquanto escrevia este texto Alex Pinto foi emprestado ao Gil Vicente.\*

LFV já veio afirmar que não vai contratar para as laterais, o que olhando para o quadro em cima e tendo em conta que o treinador é Bruno Lage (tanto jogador que renasceu com ele) não é de todo descabido. No entanto numa equipa como o Sport Lisboa e Benfica, a titularidade sustentada de um jogador como Almeida é o rosto da mediocridade.
Da maneira como o Benfica de Bruno Lage joga precisamos de uma autêntica locomotiva, que tenha uma boa qualidade técnica e que seja agressivo a defender. Como tal deixo aqui três nomes :
  1. Sabaly do Bordeaux e Senegal
  2. Alvas Powell do Cincinnati e Jamaica.
  3. Com o decorrer do Mundial sub-20 houve outro jogador que me chamou à atenção, embora jogasse como ala numa defesa a cinco. Falo de Konoplia, que para além de ser muito forte nas transições (devido à sua velocidade) tem uma grande capacidade de decisão somando 4 assistências.
Enquanto escrevia fomos brindados pela notícia que Daniel Alves não irá permanecer no PSG. Será que é possível invés de gastar 3M num Cádiz (sem querer tirar qualidade ao jogador), investir mais num jogador de créditos firmados como este? Será que um dos melhores laterais direitos da história poderá estar interessado em ingressar num clube como o Benfica ou ainda quererá um clube com ambições de vencer a Champions?

Lateral Esquerdo :
  • Grimaldo é um fora de série. Muitas pessoas não dão valor a Grimaldo por causa de alguns erros defensivos que comete, mas jogar com Grimaldo a lateral esquerdo é como ter lá um médio, tamanha a criatividade e a inteligência do espanhol. Além disso, tem uma técnica acima da média. Se jogasse noutro campeonato, estou certo que seria já internacional espanhol há muito tempo. Grimaldo é um exemplo de boa gestão no Benfica. O jogador chega à equipa principal num grau de maturidade alto mas longe do seu potencial máximo, e, atingido o seu potencial máximo, dá duas ou três épocas ao clube (ou mais). Depois dá o salto deixando os cofres cheios para investir num substituto. A verdade é que, mesmo tendo só 23 anos, já cá está há 3 épocas e meia. É portanto natural que se pense em deixá-lo voar. Não sei se o valenciano abandonará o clube esta época ou não. Se sair, terei muita pena, mas compreenderei, sendo indispensável um reforço digno desse nome. Se ficar, teremos que ficar felizes porque iremos usufruir deste craque mais um ano
  • Yuri Ribeiro e Pedro Amaral são dois jogadores na mesma linha. Yuri Ribeiro fez uma boa época no ano passado, no Rio Ave, e, face à saída de Eliseu, ocupou o seu lugar. Porém, Yuri foi um daqueles jogadores que sentiu o peso da camisola, demonstrando não ter o que é necessário para representar o Benfica. A aposta, em teoria, faz sentido. Yuri, não sendo um craque, parecia ter qualidade suficiente para substituir Grimaldo quando fosse necessário, com o bónus de ser da nossa formação. Só que, na prática, correu mal. Não censuro a escolha, censuro o facto de termos atacado a segunda volta sem arranjar outro jogador para o lugar dele, e censurarei se ele fizer parte do plantel da próxima época.Pedro Amaral é um ano mais novo mas também é ligeiramente inferior. Não é mau jogador, mas também é insuficiente. O erro que foi apostar em Yuri seria repetido se o seu substituto fosse Amaral.
  • Existe ainda na equipa sub-23 Frimpong e Nuno Tavares (muito promissor) e tivemos emprestado Matheus Leal ao Real Massamá. Não acredito que nenhum seja aposta a curto prazo, sendo que os dois miúdos formados no Seixal estão verdes e o brasileiro não conta.

Assim sendo, se Grimaldo não sair, obrigatoriamente, temos de ir ao mercado reforçar a lateral esquerda com um jogador para ser sombra do titular. E logo aqui as afirmações de LFV deixam de fazer sentido. Não sei como é possível termos um Presidente que todos os anos dá tiros nos pés parecendo não querer aproveitar todo o potencial que o Benfica tem, com medo que alguém perceba o quão grande esta instituição realmente é e lhe venha roubar o lugar.
Na minha opinião deveríamos atacar um destes alvos:
  1. Pedro Rebocho tem 24 anos, é também ele made in Seixal e já é há dois anos um dos destaques da Ligue 1. Porém, a sua equipa, o En Avant Guingamp, irá descer de divisão, pelo que o jogador está algo desvalorizado. Não me parece que Rebocho tenha qualidade para assumir inicialmente a titularidade da equipa. Porém, também não encontro um jogador com melhor perfil e com a qualidade dele para assumir o papel de alternativa.
  2. Sergio Reguilón tem 22 anos e foi formado no Real Madrid. O ano passado discutiu a titularidade com Marcelo mas com a chegada de Mendy não parece que vá permanecer no plantel. Anteriormente já nos demos muito bem com este tipo de negócios (Javi, Rodrigo, Grimaldo) e apesar de envolver uma quantia superior à que teríamos de despender em Rebocho poderíamos já aqui ter o substituto de Grimaldo quando o mesmo sair.
  3. Abdelkarim Hassan, tem 25 anos e é titular do Al-Sadd e selecção Qatariana. Já me tinha chamado à atenção na taça Asiática, dando seguimento com exibições de encher o olho na Copa América. Um defesa com um físico impressionante, forte a defender e com qualidade a sair a jogar. Não deverá ser caro e aposto que seria um achado.
  4. Rubén Vinagre, tem 20 anos, é promissor e não tem minutos no Wolves. Está no carrossel do Mendes e podíamos usar esse factor para o trazer. A montra Benfica nunca teve melhor reputação.

Caso Grimaldo saia, aí sim temos que atacar em força por um substituto digno desse nome. Com esse propósito, surgiram na imprensa alguns nomes mais consagrados casos de Alberto Moreno do Liverpool, Mário Rui do Nápoles e Leonardo Koutris do Olympiakos.
Mais uma vez a minha opinião recai sobre o plantel dos blancos, falo de Theo Hernandez. Um jogador que iria envolver um esforço financeiro enorme (avaliado em 20M) e a lutar contra grandes nomes na Europa (parece que está a ser disputado por Leverkusen e Roma) mas que nos permitiria ter um lateral superior a Grimaldo. Além disso é um jogador que não é opção no Real e está desvalorizado, pelo que a menor pressão de jogar frequentemente no Benfica e demonstrar todo o seu valor seria do seu agrado.
Em suma, o Benfica deveria ir ao mercado por um lateral esquerdo, ou dois, dependendo da manutenção de Grimaldo. Se Grimaldo sair, espero que não haja displicência na sua substituição, pois Grimaldo é um dos jogadores mais preponderantes na nossa equipa. Sobre o suplente, confesso que tenho algum receio que a estrutura tenha demasiada fé em Nuno Tavares, pois acredito que ainda não está pronto e pode-se vir queimar um jogador muito talentoso.

Defesa Central :
  • Rúben Dias, o patrão da defesa. Se ainda comete erros de principiante? Comete. Se por vezes demonstra agressividade desmedida? Demonstra. Mas a nossa defesa sem ele sofre muito e atingiu um nível, que apesar de muitos nao o reconhecerem, faz dele indispensável. Para além de nos jogos a doer assumir-se como mais ninguém o faz. Próximo ano temos Europeu e se nao lhe subirmos a cláusula (80M) esta irá ser facilmente batida.
  • Francisco Ferreira, Ferro, foi uma das maiores surpresas da época. Quem o acompanhava, como eu, na equipa B sabia que tínhamos ali um central para os próximos anos. A verdade é que já estava a estagnar na equipa B e em boa altura veio a saída de Lema e Rui Vitória. Ferro trata melhor a bola do que qualquer um dos restantes centrais e, apesar de alguns erros defensivos que ainda comete (normal, dada a falta de experiência), tem tudo para fazer uma carreira de alto nível. Intocável, portanto.
  • Jardel, o nosso capitão. Se para muitos já nao dá mais porque este está velho, eu sou de opinião completamente distinta. O Benfica nao pode perder os pilares do balneário ano após ano, muito menos quando Jardel ficou com uma responsabilidade passada por Luisão. Já vimos que Bruno Lage gosta de rodar a equipa, e Jardel terá muitos minutos nas taças e no campeonato após jornada de Liga dos Campeões. Merece um lugar no plantel da próxima época (assim ele o queira). Porém, é necessário reconhecer que não poderá ter o estatuto de outros tempos, pelo que, no máximo, terá que ser terceira opção para o centro da defesa.
  • Conti, contratado para ser o 3º central, desiludiu. Foram muitos os erros de abordagem, alguns até deram em autogolo, o que é ilustrativo que não estava pronto para vir para a Europa. Tem 24 anos, logo não se pode dizer que é um defesa central velho. Assim sendo, pode ainda ser cedo para desistir dele. No entanto, a sua saída tem que acontecer, por empréstimo e preferencialmente no campeonato português.
  • Emprestados temos dois, ambos argentinos. Lema tem 28 anos e chegou este época a custo zero. Veio classificado como um dos melhores centrais da Liga Argentina, e, para ser sincero, não duvido que tal seja verdade. Sempre que jogou demonstrou a sua qualidade e nao fosse a sua, injusta, expulsão contra o Porto as coisas poderiam ter sido diferentes. O outro argentino é Lisandro Lopez, chegou ao Benfica há 6 anos rotulado como uma grande promessa, mas nunca se impôs totalmente. Embora não seja mau jogador, dado que já tem 29 anos, não me parece sensato considerá-lo para o futuro do Benfica.
  • Lystsov, desde Outubro que está em recuperação depois de uma rotura do ligamento cruzado e ainda não há prazo para regressar. Está com 23 anos e já conta com uma pré-convocatória para a selecção Russa pelo que qualidade nao lhe falta. Tendo em conta que vem de um ano sem praticar, acho que seria preferencial ficar como 4º central/titular na B enquanto recupera forma com o plus de conceder experiência a uma jovem equipa.
  • Kalaica está no ponto para subir à primeira liga. O croata é o capitão da equipa B e, após 3 anos lá, não aprenderá mais. Agora, é preciso alguma reflexão sobre como gerir este rapaz, porque só fará sentido integrar Kalaica na equipa principal se ele tiver minutos. Uma coisa é certa, Kalaica tem de sair da equipa B, até porque há muito talento a precisar de uma vaga.

Esta é possivelmente a posição em que o Benfica está mais bem servido e continuará a estar após a saída dos dois centrais agora titulares. David Zec, Pedro Álvaro, Nóbrega e Gonçalo Loureiro fazem todos parte da geração de 2000 e se continuarem a evoluir como tem acontecido, e com minutos nas pernas, serão opções a médio prazo.
O problema é que dos 8 centrais que referi em cima, no início da próxima época, acredito que poderão ainda cá estar, no máximo, 4 deles.
  1. Rubén Dias e Ferro devem continuar a titulares no Benfica de Lage e, se mantiverem a qualidade, consequentemente na selecção nacional no Europeu 2020. Com isto deverá ser muito difícil manter os dois após o final da próxima época. Muito menos quando temos um vendedor ambulante como Presidente.
  2. Lema e Lisandro já não devem regressar ao plantel, ambos têm interessados na América do Sul e podemos/devemos recuperar o investimento feito em ambos.
  3. Jardel não segue para novo, não tendo capacidades para ser titular neste Benfica.
  4. Conti e Kalaica estão verdes, e mesmo que ambos os empréstimos corram bem não significa que estejam prontos para assumir a titularidade do Benfica, enquanto que Lystsov é uma incógnita.
Tendo em conta este cenário não sei se não será necessário apalavrar já um jogador de créditos firmados para a próxima época. David Luiz poderá ser perfeito, até porque, com a idade que tem, começará a entrar em declínio em breve, sendo que quando começasse a decair, já outros jovens valores estavam mais que prontos para assumir o lugar. Rúben Semedo seria outro nome interessante. Português, Benfiquista e ainda novo. Está completamente desvalorizado em Espanha e querem desfazer-se dele. Seria uma excelente oportunidade pois considero que tem qualidades muito boas para a posição e para aquilo que Lage pretende.

Meio Campo :
  • Começo por Fejsa pois qualquer Benfiquista sempre o respeitará, embora possa ser altura de reconhecer que o ciclo dele pode ter chegado ao fim. Fejsa sempre foi um fantástico trinco, mas nunca teve uma capacidade de construção por aí além. Só que agora é essencial ser pelo menos competente na construção para funcionar no sistema de Lage. Para piorar, fisicamente, Fejsa está muito débil. Foram anos maravilhosos mas, com uma proposta adequada, infelizmente poderá aceitar-se a sua saída.
  • Samaris e Florentino são dois jogadores semelhantes sendo que ambos são competentes na sua função, embora um seja melhor a construir e outro a destruir. Ambos são muito bons nas funções mais defensivas, com algumas diferenças no estilo, dado que Florentino tem uma técnica defensiva impressionante (não me lembro de alguém igual) e Samaris, não sendo tão bom tecnicamente, compensa com agressividade no sentido positivo. Samaris junta ainda uma qualidade de passe e leitura de jogo fora do normal para um jogador naquela posição. Ter os dois à disposição é fantástico, pois permite ao Tino crescer sem tanta pressão com um jogador muito mais batido e que ainda por cima está perfeitamente identificado com o clube. Juntos, não funcionam tão bem. Com Gabriel ao lado, complementam-no perfeitamente.
  • Gabriel foi uma contratação de risco, dado que se investiu 10M€ num jogador relativamente desconhecido. A época até nem começou muito bem, uma vez que o homem era o oposto do que Rui Vitória queria num médio mas, felizmente, com Bruno Lage, acabou por provar o seu valor. Para um sistema com dois homens no meio campo, é imprescindível um jogador como Gabriel: bom na pressão e na recuperação, fantástico na construção. Assim sendo, ainda bem que temos um jogador assim.
  • Gedson Fernandes começou muito bem a época e perdeu um bocadinho com a entrada de Lage. Não é anormal, atenção. Gedson é um box-to-box puro, sendo que ainda pode fazer várias posições no meio campo. Assim sendo, é normal que tivesse algumas dificuldades com este novo sistema pois para Bruno Lage não basta ser competente na posição. Lage é inteligente e saberá o que fazer com o Gedson, e Gedson é muito talentoso (tenho muitas esperanças nele) e certamente agarrará um lugar, seja no meio campo a dois, seja encostado à linha ou atrás do avançado. É um jogador diferente de Samaris, Florentino e Gabriel, e dará muito jeito numa época longa.
  • Krovinovic é um caso estranho. Chegou lesionado do Rio Ave e depois de uma travessia pelo deserto em termos de minutos agarrou o lugar num meio campo a 3 e foi o melhor do Benfica com apenas uns meses de competição, até à lesão. Desde que regressou, está completamente fora de forma. Não sei explicar o que aconteceu mas é preciso agir. Uma hipótese é emprestar-lo e permitir que recupere a forma e a confiança num clube que precise de um craque como o Krovi (parece que este é o caminho pois falasse num empréstimo ao Vitória). Outra hipótese é o próprio Lage conseguir reabilitá-lo na pré-época. Seja como for, ficar mais uma época a estagnar na bancada não pode ser uma opção. Na minha opinião, e tendo em conta que não acredito que Krovino se adapte a este meio campo a dois,o melhor seria um empréstimo para Inglaterra ou Alemanha com uma cláusula alta (25M).
  • Taarabt, o marroquino ganha logo pelo facto de ser versátil, pois tanto poderia ser falado juntamente com os extremos ou juntamente com os avançados. Mas todos conhecemos a história dele. Chegou rotulado de craque problemático, e fez jus à segunda adjectivação. Andamos a pagar um balúrdio e, portanto, ele só tinha que ser profissional, algo que não aconteceu. Tudo mudou esta época. Lage chegou e conseguiu motivar o marroquino, tornando-o uma opção. É impressionante a capacidade que ele tem de romper linhas com um passe. Portanto, sendo ele um jogador tão dotado, e tendo ainda mais um ano de contrato, é de aproveitar. Já que o salário dele será pago de qualquer maneira, não se perde nada em aproveitar o homem desportivamente.
  • Do rol de emprestados, há dois que claramente não têm lugar no Benfica – Chrien e Dálcio. O eslovaco é mau, claramente não valia o milhão que o Benfica pagou por ele e está a mais no Benfica. O segundo foi um negócio que se aceita, na mesma óptica de Nelson Semedo. Foi barato, por isso, se resultasse era fantástico e, não resultando, não é grave.
  • Keaton Parks, David Tavares e Alfa Semedo são jogadores interessantes. Dado o excesso de médios que temos, talvez não dê para os integrar, mas merecem uma hipótese na pré-época. Keaton é um jogador melhor a construir que a defender. Já o Alfa apesar de ser um jogador muito intenso em Janeiro Lage descartou-o. Em ambos há lacunas, acima de tudo defensivas, mas tenho curiosidade para saber como se integrariam no Benfica de Lage. David Tavares é um animal que irá acabar no plantel mas para já está verde. Acredito que o ideal seria um empréstimo para voltarem.
  • O outro emprestado deveria fazer a pré-época. Infelizmente, na sua transição para sénior, apanhou o treinador errado. Tenho receio que, agora que ele já vai com 22 anos acabados de fazer, seja tarde. No entanto, é um pivot super natural, encaixando que nem ginja neste sistema táctico. Com Lage, talvez ainda se faça jogador, por isso, não perdemos nada em integrá-lo. Estou a falar de Pedro Rodrigues, Pêpê.

Havendo tantas e tão variadas opções, eu diria que não é necessário contratar ninguém para o meio campo. Ainda por cima quando, como no caso da posição central da defesa, temos tanto talento à espera no Seixal - Vukotic, Diogo Pinto, Tiago Dantas e David Tavares.
No entanto gostaria de deixar aqui um nome - Willie Clemons, tem 24 anos e é jogador do Bodens BK e internacinal pelas ilhas Bermudas. Não será um investimento de risco e pareceu-me um médio super intenso, muito completo tanto a defender como no transporte e a queimar linhas.

Meio Campo ofensivo :
  • Rafa, foi possivelmente o melhor jogador do Benfica nesta temporada. Com Rui Vitória nunca conseguiu mostrar toda a sua qualidade (pecando muito na finalização), mas agora, com Lage, está a um nível estratosférico. O melhor de tudo é que, depois da eminente renovação, parece que iremos ter jogador para as próximas temporadas.
  • Pizzi, é um extremo diferente, mais criativo que desequilibrador, e sem o achar um fora de série acaba por ser fulcral neste 4-4-2 que nos últimos 4 anos nos fez festejar por 3 vezes. No plantel, não há outro como ele, daí o seu estatuto e importância para a equipa.
  • Caio Lucas é outro que quase garantidamente fará parte do plantel, pois é um reforço que foi garantido em Janeiro. Conheço muito pouco sobre ele, mas dizem que é um desequilibrador puro. Como cartão de visita, traz número muito interessantes esta temporada: 5 golos e 11 assistências em 2100 minutos (cerca de 23 jogos).
  • Cervi. Prometeu muito quando chegou ao Benfica mas a realidade é que foi dos jogadores que mais sofreu com a era Rui Vitória (ainda por cima na fase mais importante da sua evolução), isto porque pensou que a sua função era ser competente a defender e dar intensidade ao jogo. Agora que é preciso ter maturidade táctica, Cervi não a tem. Assim sendo, com tanto talento na posição, não sei bem o que vai acontecer. A verdade é que se JJ fosse o treinador a posição de Defesa Esquerdo ficaria fechada com a adaptação de Cervi. Com Lage não sei se isso acontecerá, mas que era o ideal, era!
  • Sobre Salvio é difícil, sempre sobreviveu da capacidade de explosão para desequilibrar. Nos tempos áureos, era uma verdadeira máquina, sendo que, não obstante a sua falta de inteligência futebolística, conseguia causar estragos em qualquer defesa. Para melhorar, sempre foi também um extremo com muito golo. Só que esses tempos parecem ter acabado. As lesões sucessivas tiraram-lhe a grande virtude e agora Salvio é um jogador banal. Para piorar, não encaixa no sistema de Lage. É um dos mais bem pagos do plantel e o seu rendimento não condiz, de todo, com o seu salário. Havendo tanta qualidade nas alas e tanta diversidade, talvez seja altura de Benfica e Salvio seguirem rumos diferentes. O problema é que Salvio já é um dos pilares do balneário, com mais tempo de casa e parece viver o Benfica como nós. E num balneário cheio de miúdos são necessárias referências que possam transmitir a mística.
  • Jota e Willock estão numa fase semelhante da evolução. Ambos são Reis na equipa B, ambos desesperam por uma oportunidade na equipa A. Jota já teve algumas oportunidades, mas muito esporadicamente. Willock ainda nem isso. Penso que estejam ainda ambos verdes para o patamar Benfica pelo que um empréstimo com V de volta poderia ser importante na sua evolução. No entanto, e tendo o Benfica tanto talento nesta posição, emprestar Willock no Championship, embora com uma clausula de compra alta, poderia ser muito interessante.
  • Zivkovic é uma das grandes decepções do ano. Com Rui Vitória, oscilou sempre entre a bancada e a titularidade nao existindo qualquer tipo de equilíbrio. Agora, com Lage, eu estava convencido que Zivkovic iria finalmente explodir. Falso. Por isso, dado que começa a ficar caro ficar com Zivkovic, era uma boa altura para o sérvio sair. Provavelmente, iremos ter uma reedição do caso Jovic (por isso, se o emprestarem, cuidado com as cláusulas que lhe metem), mas manter Zivkovic não é saudável nem para o Benfica nem para o jogador.
  • André Carrillo é um craque. Os Benfiquistas não o valorizam porque as expectativas eram altas (afinal de contas, era a estrela do rival) e Rui Vitória pouco contou com ele, mas a verdade é que Carrillo é um craque. É um extremo diferente de todos os que temos, mais cerebral mas ao mesmo tempo desequilibrador, e por ser tão diferente, Rui Vitória não sabia o que fazer com ele. Aposto que Lage sabe, mas dado que ele está relativamente valorizado também aposto que nao regressará das Arábias.
  • Benitez é jogador do carrossel. Foi um negócio, onde para se renovar com um tinha de vir outro, danoso para o clube. Seja como for, o que vi do mesmo na pre-época até nem pareceu mau. Um jogador mais ao estilo de Pizzi que dos outros. Mas a verdade é que por onde tem passado não tem rendido, e nao acredito que vá ser agora. Para sair.
  • Diogo Gonçalves, na formação era um extremo desequilibrador que sempre teve muito golo. Foi por isso que ganhou a chance de fazer parte da equipa principal na época passada. Infelizmente, não resultou, e foi emprestado não tendo corrido bem a experiência em Inglaterra. Enquanto escrevia esta analise soube que vai ser emprestado ao Famalicão, e não podia estar mais de acordo.\*

Resumidamente, não chega não trazer ninguém para as alas ofensivas. É preciso cortar alguns jogadores, para abrir vagas para miúdos que desesperam por oportunidades, e para libertar orçamento para posições que realmente precisam de ser reforçadas.
No entanto, mais uma vez, gostaria de deixar aqui um nome - Carlos Antuna de 21 anos, jogador do Manchester City, Mexicano. É um jogador muito semelhante ao antigo Salvio - destro a jogar como ala direito, capacidade de explosão e velocidade felina. Ainda por cima tem um faro de golo impressionante, a quantidade de vezes que aparece em zonas de finalização após se ter desmarcado da marcação é surreal para um extremo. E tem-no comprovado agora na Gold Cup onde já leva 4 golos e 2 assistências em apenas 3 jogos. Vai ser uma estrela

Frente de Ataque :
  • Seferovic, tem muita capacidade de trabalho e de sofrimento e tem uma mentalidade competitiva enorme. Além disso, é um excelente jogador de equipa, sendo muito inteligente em campo e ideal para o estilo de Bruno Lage. Infelizmente, falha num dos aspectos mais importantes de um avançado: a finalização. É exasperante a quantidade de golos que o suiço falha. Não se exige que marque um golo a cada oportunidade, mas às vezes Seferovic precisa de 3 ou 4 bolas claríssimas de golo para meter um, e isso, no futuro, pode custar títulos. Assim, sou da opinião que aparecendo algum clube dê por Seferovic um valor superior ao seu real seria de aproveitar.
  • Jonas, o mago brasileiro está envelhecido e muito débil fisicamente, mas a verdade é que é o maior responsável por o Benfica se ter aguentado durante a era de Rui Vitória. Acabou a época com uma média muito próxima de um golo por 90 minutos. Acho que a decisão de acabar a carreira ou não, só ele a deve tomar, mas acho que Jonas ainda pode ser muito útil, até porque já se viu que Jonas funciona não só como 9 mas também como construtor.
  • Cristian Arango foi mais um daqueles reforços que devia deixar os adeptos revoltados. Para quem não se lembra, chegou no ano passado, e, numa época em que precisávamos de reforçar imensos setores, foi o nosso reforço mais caro. Expectavelmente não tem qualidade para representar o Sport Lisboa e Benfica. Por isso é altura de deixar de gastar vagas de empréstimo em Portugal com ele. Alan Júnior é outro reforço para o carrossel que nunca deveria ter vestido o manto sagrado, estão ambos a mais no Sport Lisboa e Benfica.
  • Heriberto Tavares, extremo de origem tornou-se um avançado móvel que nos sub-21 resultou muito bem, sendo que poderia funcionar com Bruno Lage. Tenho ideia que poderá ser uma alternativa viável a Seferovic embora tenha a mesma incapacidade a finalizar que o Suíço, mas acho que merecia pelo menos fazer a pré-época.
  • Facundo Ferreyra, foi emprestado por ano e meio mas parece que o Espanhol não tem interesse em mantê-lo. Gostaria que Lage lhe concedesse a oportunidade de fazer a pre-época, embora tenha noção que foi Lage quem o dispensou em Janeiro.
  • Jhonder Cádiz, contratado ao Vitória de Setúbal depois de boa época em Portugal. Até posso estar enganado, mas não me parece jogador para o Benfica. Aliás, após as palavras do Presidente parece ser mais um para o carrossel.

Na frente, temos de ir ao mercado obrigatoriamente. Mas têm de ser reforços a sério. Um deles tem de ser um titularíssimo, outro um miúdo com enorme potencial. Na formação temos uma preocupação semelhante pois os miúdos dos planteis B, sub-23 e júniores não parecem ter potencial para um dia figurarem no plantel principal do Benfica.
Raul de Tomas parece estar perto de assinar, e Cádiz já assinou. Com a saída de Félix ficamos órfãos do nosso prodígio, e sabendo que não é possível arranjar um substituto nem por sombras semelhante, temos de repescar Chiquinho. Seria um reforço fantástico, pois poderia jogar no meio ou ainda poderia fazer de Pizzi. Já conhece a casa e foi o melhor jogador do campeonato extra-grandes.

Plantel final
(O post estava muito grande, portanto continua no comentário! Sorry!)
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2019.05.12 21:45 MindCrow [DQ] Ratos de Apartamento, Seleção Darwiniana e Gosto de Infância

Há mais ou menos 17 anos, eu fui morar em um pequeno apartamento que fica em uma das capitais aqui da terra tupiniquim. O apartamento fica em uma região mais periférica da cidade. Ele é no térreo e é bem simples, mas supre todas as minhas necessidades. Nesse lugar, eu nunca tive pássaros, cachorros, gatos, reptilianos ou nenhum outro animal doméstico. Na verdade, não gosto da ideia de "ter" um animal. Afinal, como eles, somos apenas seres multicelulares lutando pela sobrevivência em uma rocha gigante voadora e o direito de posse de outra vida me soa egocêntrico demais. Devaneios existências a parte, foi lá pelas 2h42 de uma pacata madrugada de dois meses atrás, que o meu sono foi rasgado por ruídos roídos e andares saltitantes. De um solitário morador, me tornei colega de um mamífero roedor.
Tom já devia estar morando comigo faz tempo, isso porque me dei conta que a casa estava cheia de pequenas pistas de sua existência e que eu jamais havia suspeitado. Ah, Tom é o nome dele, pelo menos é o que me veio a cabeça naquele instante. Ironicamente, talvez seja apenas um reflexo de uma memória “cartoonesca” da minha infância. “Mas como diabos esse bicho veio parar aqui?” era a única coisa que passava pela minha cabeça em um looping infinito. Depois de inúmeras crises existências, reflexões acerca do universo e tudo mais, eu decidi mata-lo. Sim, a vida daquele pequeno ser havia despertado sentimentos animalescamente assassinos que estavam hibernando dentro de mim. Afinal de contas, na luta pela sobrevivência, só há espaço para uma espécie dominar. Pelo menos já estou acostumado a lidar com esse tipo de serviço sujo, isso porque eu sou o jato de Baygon mais rápido da cidade. Nenhuma barata sobrevive mais que 5 segundos no mesmo habitat que eu. Assim, por 5 dias seguidos, eu e Tom, entramos em uma colossal batalha de sobrevivência darwiniana, quem seria o mais apto a dominar esse ambiente? O pequenino camundongo com seus raios letais de leptospirose ou o enorme humano destrambelhado e seu desespero? Descobri que ceifar a vida de Tom não seria tão fácil quanto era com os asquerosos seres alados, vulgo baratas. Diferente delas, ele sempre foi uma mamífero muito inteligente, veloz como um raio e soube se esconder como eu jamais consegui jogando esconde-esconde. A realidade é que eu e ele só trocamos olhares uma única vez. Durante esses cincos intensos dias, falhei miseravelmente na minha missão. Eu não sabia o que o Tom gostava de comer, não sabia que lugares ele costumava passar e muito menos armar aquela porcaria de ratoeira. Meus dedos choram com as lembranças. Descobri que para ser o assassino perfeito, eu precisava conhecer a vítima intimamente, pensar como ele, conhecer seus hábitos, suas preferências e principalmente, os pontos fracos! Biologicamente falando, eu e Tom compartilhamos 99% dos nossos genes, a chave para derrotá-lo estava escrita no meu próprio DNA. Foram horas e horas e horas a fio em busca das respostas que eu precisava, e nem o Google conseguiu me salvar. Foi após muitas tentativas de descobrir o que tom gostava, o ponto certo da sensibilidade da foice da morte (digo, da ratoeira) e os cantos que ele gostava mais de passar seu tempo livre, quem diria, o ponto fraco de Tom tinha gosto de infância. Como uma bala que atravessa o silêncio da madrugada e dilacera a esperança de uma vida de prazer entre os humanos, o som da ceifadora ratoeira ecoou por todo bairro. Foi no cantinho da cozinha que ele mais amava. Tínhamos em comum muito mais do que nós mesmos imaginávamos. Assim como o meu pequenino Eu da infância, que assistia horas e horas ininterruptas de Tom & Jerry, seu sabor preferido tinha o mesmo nome do meu: chocolate Refeição. Compartilhávamos o ponto fraco, dividíamos o mesmo planeta e até morávamos no mesmo quarto. A verdade é que nosso fim sempre será o mesmo e o que nos separa é só a mão que arma a ratoeira. O fim da história do pequenino Tom se encerrou em uma sacolinha do mercadinho do seu Manoel.
Hoje, dois meses depois desse icônico momento da minha vida, ao chegar em casa, eu encontro um singelo presente sobre meu sofá. Talvez de algum tio, primo, irmão ou quem sabe até filho de Tom. Ao olhar o presente, um flashback da minha vida passou em meus olhos. Era um pequeno cocozinho que sinalizava o início de uma nova jornada.
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2019.05.12 05:52 MindCrow Ratos de Apartamento, Seleção Darwiniana e o Gosto da Infância

Há mais ou menos 17 anos, eu fui morar em um pequeno apartamento que fica em uma das capitais aqui da terra tupiniquim. O apartamento fica em uma região mais periférica da cidade. Ele é no térreo e é bem simples, mas supre todas as minhas necessidades. Nesse lugar, eu nunca tive pássaros, cachorros, gatos, reptilianos ou nenhum outro animal doméstico. Na verdade, não gosto da ideia de "ter" um animal. Afinal, como eles, somos apenas seres multicelulares lutando pela sobrevivência em uma rocha gigante voadora e o direito de posse de outra vida me soa egocêntrico demais. Devaneios existências a parte, foi lá pelas 2h42 de uma pacata madrugada de dois meses atrás, que o meu sono foi rasgado por ruídos roídos e andares saltitantes. De um solitário morador, me tornei colega de um mamífero roedor.
Tom já devia estar morando comigo faz tempo, isso porque me dei conta que a casa estava cheia de pequenas pistas de sua existência e que eu jamais havia suspeitado. Ah, Tom é o nome dele, pelo menos é o que me veio a cabeça naquele instante. Ironicamente, talvez seja apenas um reflexo de uma memória “cartoonesca” da minha infância. “Mas como diabos esse bicho veio parar aqui?” era a única coisa que passava pela minha cabeça em um looping infinito. Depois de inúmeras crises existências, reflexões acerca do universo e tudo mais, eu decidi mata-lo. Sim, a vida daquele pequeno ser havia despertado sentimentos animalescamente assassinos que estavam hibernando dentro de mim. Afinal de contas, na luta pela sobrevivência, só há espaço para uma espécie dominar. Pelo menos já estou acostumado a lidar com esse tipo de serviço sujo, isso porque eu sou o jato de Baygon mais rápido da cidade, nenhuma barata sobrevive mais que 5 segundos no mesmo habitat que eu. Assim, por 5 dias seguidos, eu e tom, entramos em uma colossal batalha de sobrevivência darwiniana, quem seria o mais apto a dominar esse ambiente? O pequenino camundongo com seus raios letais de leptospirose ou o enorme humano destrambelhado e seu desespero? Descobri que ceifar a vida de Tom não seria tão fácil quanto era com os asquerosos seres alados, vulgo baratas. Diferente delas, ele sempre foi uma mamífero muito inteligente, veloz como um raio e soube se esconder como eu jamais consegui jogando esconde-esconde. A realidade é que eu e ele só trocamos olhares uma única vez. Durante esses cincos intensos dias, falhei miseravelmente na minha missão. Eu não sabia o que o Tom gostava de comer, não sabia que lugares ele costumava passar e muito menos armar aquela porcaria de ratoeira. Meus dedos choram com as lembranças. Descobri que para ser o assassino perfeito, eu precisava conhecer a vítima intimamente, pensar como ele, conhecer seus hábitos, suas preferências e principalmente, os pontos fracos! Biologicamente falando, eu e Tom compartilhamos 99% dos nossos genes, a chave para derrotá-lo estava escrita no meu próprio DNA. Foram horas e horas e horas a fio em busca das respostas que eu precisava, e nem o Google conseguiu me salvar. Foi após muitas tentativas de descobrir o que tom gostava, o ponto certo da sensibilidade da foice da morte (digo, da ratoeira) e os cantos que ele gostava mais de passar seu tempo livre, quem diria, o ponto fraco de tom tinha gosto de infância. Como uma bala que atravessa o silêncio da madrugada e dilacera a esperança de uma vida de prazer entre os humanos, o som da ceifadora ratoeira ecoou por todo bairro. Foi no cantinho da cozinha que ele mais amava. Tínhamos em comum muito mais do que nós mesmos imaginávamos. Assim como o meu pequenino Eu da infância, que assistia horas e horas ininterruptas de Tom & Jerry, seu sabor preferido tinha o mesmo nome do meu: chocolate Refeição. Compartilhávamos o ponto fraco, dividíamos o mesmo planeta e até morávamos no mesmo quarto. A verdade é que nosso fim sempre será o mesmo e o que nos separa, é só a mão que arma a ratoeira. O fim da história do pequenino Tom se encerrou em uma sacolinha do mercadinho do seu Manoel.
Hoje, dois meses depois desse icônico momento da minha vida, ao chegar em casa, eu encontro um singelo presente sobre meu sofá. Talvez de algum tio, primo, irmão ou quem sabe até filho de Tom. Ao olhar o presente, um flashback da minha vida passou em meus olhos. Era um pequeno cocozinho que sinalizava o início de uma nova jornada.
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2019.04.14 22:59 fidjudisomada Primeira Liga 2018/9, #29: SL Benfica 4-2 Vitória FC

UM GRANDE 81!

Rafa (por duas vezes), João Félix e Seferovic deixaram marcas nas redes do V. Setúbal e deram vida ao triunfo do líder Benfica (4-2) na 29.ª jornada da Liga NOS. As águias já apontaram 81 golos nesta prova (melhor ataque), 50 dos quais em 14 jogos sob o comando de Bruno Lage (13 vitórias e um empate). Faltam cinco finais!
Uma entrada fortíssima levou o Benfica à posição de vantagem logo aos 2'. Desde o pontapé de saída até se encaixar nas redes sadinas, a bola só passou pelos pés dos jogadores do Benfica: viajou do meio para a direita, da direita para a esquerda e novamente da esquerda para a direita, ficando então ao alcance de João Félix e a jeito para ser colocada no meio da área, onde Rafa, todo no ar, com um sensacional desvio com o calcanhar direito, apontou o 1-0. Um golo que a equipa fez questão de dedicar a Fernando Ferreira, treinador de guarda-redes.
Marcado o primeiro, os encarnados quiseram o segundo. João Félix, depois de uma excelente iniciativa a rasgar pelo corredor central, rondou o 2-0 aos 12'. Aos 26', depois de uma arrancada de Pizzi pelo flanco direito, João Félix disparou duas vezes no interior da grande área e a segunda tentativa foi intercetada em falta por Rúben Micael (braço da bola).
Rui Costa não apontou imediatamente para a marca dos onze metros, o videoárbitro teve de intervir e, depois de rever as imagens do lance, o juiz da AF Porto não teve dúvidas e determinou o castigo máximo (28'). Investido da responsabilidade de cobrar o pontapé de penálti, Pizzi avançou, rematou, mas Makaridze conseguiu defender (29').
As águias criavam oportunidades, e João Félix, num cabeceamento ao segundo poste, quase aproveitava o cruzamento de Pizzi na direita.
Não foi aos 34', foi aos 36' que os encarnados faturaram o 2-0: João Félix, rápido a pressionar, recuperou a bola à saída da área setubalense, tocando no momento seguinte para a esquerda, com Rafa a receber e a chutar cruzado para o golo, o seu 12.º nesta edição da Liga NOS (e 6.ª assistência de João Félix na prova).
Perto do intervalo (39'), os sadinos construíram um ataque pela direita, colocaram depois a bola no corredor central e, recebendo um passe curto de Rúben Micael, Nuno Valente rematou de pé esquerdo para o 2-1.
Dominador, o Benfica alcançou o 3-1 aos 56'. Após intervenção decisiva de Florentino, que se esticou para intercetar a bola no espaço ofensivo e logo colocou a sua equipa em ataque, Pizzi entrou pela direita e cruzou para o disparo de primeira de João Félix no meio da área, rubricando um belíssimo golo (para juntar a duas assistências neste encontro...) que dedicou ao irmão, Hugo Félix.
As águias controlaram, atacaram (Rafa, aos 59', pareceu ter sido tocado em falta por Vasco Fernandes na área sadina, mas Rui Costa entendeu de forma diferente), tiveram bola e geriram os ritmos da partida perante um adversário que nunca se entregou e que fez o possível para chegar à área de Odysseas (nomeadamente em ataques rápidos).
A superioridade benfiquista, no entanto, teve mais um momento de confirmação: aos 77', Rafa picou a bola (assistência) sobre a linha defensiva sadina e Seferovic, descaído para a direita da área, finalizou com um remate cruzado de pé esquerdo (4-1).
Muito perto do fim, um lance entre Rúben Dias e Vasco Fernandes no interior da grande área do Benfica foi revisto por Rui Costa após indicação do videoárbitro. O juiz da partida decidiu então assinalar pontapé de penálti para os sadinos, que reduziram para o 4-2 final por intermédio de Cadiz.

BRUNO LAGE: “VERDADEIRA EQUIPA COM ENTREAJUDA E ESPÍRITO DE MISSÃO”

O Benfica venceu o V. Setúbal (4-2) na 29.ª jornada da Liga NOS. O triunfo foi dedicado por Bruno Lage e pelo plantel ao treinador de guarda-redes Fernando Ferreira. O técnico mostrou-se, ainda, feliz pela entrada da equipa em jogo, desejou felicidades aos sadinos e esclareceu a opção por Florentino para o meio-campo.
Triunfo com entradas fortes
“Acima de tudo foi uma boa vitória, com boa dinâmica e ao nosso melhor nível. Chegámos ao 2-0, falhámos uma grande penalidade e sofremos um pouco com o entusiasmo do jogo. Não ficámos atentos às transições e o V. Setúbal é bom nisso, nomeadamente através do ponta de lança [Cadiz], que é veloz e inteligente. O V. Setúbal chegou ao 2-1, entrámos bem na segunda parte, fizemos o 3-1 e o 4-1. Nos últimos minutos podíamos ter gerido melhor o jogo com bola. O V. Setúbal esteve subido no terreno, nunca abdicou do jogo e de ter bola; nós tentámos alcançar a profundidade e perdemos o controlo do jogo. Depois nasce o lance da grande penalidade que dá o 4-2. O que nos deixa satisfeitos foi a entrada forte no jogo e o caminho que temos vindo a fazer. Este resultado fica-nos bem e agora é recuperar para o jogo da segunda mão da Liga Europa. Estamos a vencer 4-2 e temos de estar com energia e concentração para fazer um bom resultado.”
“Entrámos bem no jogo, procurámos rapidamente chegar ao golo e conseguimos. Tivemos uma primeira boa meia hora; na segunda parte voltámos a estar fortes de forma a procurar o golo. Conseguimos e o jogo ficou do nosso lado. Acaba por ser uma vitória justa e o mais importante são as sequências de jogos que temos feito, de golos que temos concretizado e de pontos que temos alcançado.”
Dedicatória do plantel a Fernando Ferreira e de João Félix ao irmão Hugo
“Dedico a vitória ao Fernando Ferreira. Teve uma semana difícil, perdeu a mãe, e o grupo juntou-se e quis oferecer-lhe a vitória. O discurso do nosso subcapitão foi de entrarmos determinados no jogo para lhe oferecer o triunfo. Fizemos logo isso aos 2’, o que mostra o nosso espírito de grupo. Temos uma grande entreajuda, espírito de missão e somos uma verdadeira equipa.”
“O irmão [do João Félix] também joga no Benfica. Pode ser aqui uma passagem de testemunho para que o mais jovem possa ter uma carreira profissional no futuro.”
Felicidades ao V. Setúbal para o que falta de 2018/19
“Uma palavra ao V. Setúbal, que é o clube da minha terra. Que tenham toda a felicidade para conquistar os pontos. Da forma como jogaram aqui, julgo que vão conseguir para ficarem mais um ano na 1.ª divisão. É um grande clube, representa uma cidade e o seu lugar é na 1.ª divisão.”
Elogios a um Pizzi comprometido com a equipa
“O Pizzi já o fazia e continua nesta senda de oferecer golos aos colegas. O que gosto de ver é que é um jogador de equipa e está disponível para tudo. Está disponível para jogar como tem feito, para ficar de fora ou para estar no banco e entrar para ajudar a equipa. O que me interessa é que todos estejam disponíveis para ajudar quando são chamados.”
Equilíbrio e tranquilidade mesmo depois de sofrer
“O único erro que identifiquei foi o nosso posicionamento após o segundo golo. Começámos a não estar no sítio certo para manter o equilíbrio. Fomos atrás da emoção e no que o jogo estava a dar, com o estádio empolgado no apoio à equipa e perdemos o equilíbrio. O V. Setúbal chega ao golo. O futebol também é isto: momentos e erros. O mais importante é o registo de equilíbrio e tranquilidade com que se vive. Não se perdeu nada, corrigimos posicionamentos e voltámos aos golos.”
A explicação para a escolha de Florentino para o miolo
“Uma coisa é a nossa ideia de jogo, outra coisa são as características de cada jogador e o que cada um pode oferecer ao jogo. O Adel [Taarabt] pode jogar em várias posições, como segundo ou terceiro médio, pode jogar numa ala; o Samaris e o Florentino podem jogar como primeiro ou segundo médio; o Gedson como segundo e terceiro médio; o Fejsa oferece-nos coisas diferentes. Em função disso, avaliamos e escolhemos. Tão importante como o equilíbrio é o jogador conseguir jogar de um corredor ao outro. O Florentino consegue. Tem um critério muito bom na construção e é mais um jovem com quem estamos satisfeitos.”
O dia a dia tranquilo do camisola 79
“João Felix continua a dever-me seis golos. Hoje [domingo] marcou mais um. É deixá-lo tranquilo. Marcou e foi dedicar ao irmão. No outro dia marcou três golos na Liga Europa e no dia seguinte estava a jogar 'teqball' com os Juvenis e Iniciados. Tem um grupo de homens que o educa, que o integra e trata-o como um menino. É deixá-lo tranquilo, eu é que lhe meto pressão.”

Coisas e Loisas

  • 11.º golo de Rafa Silva neste campeonato, o 15.º da temporada. Quase 3 anos depois, Rafa Silva volta a marcar ao V. Setúbal. Em abril de 2016, bisou frente aos sadinos, ao serviço do SC Braga;
  • Golos do Benfica na Liga NOS nos 5 primeiros minutos de jogo em 2018/19: 2 min: Rafa (Chaves); 2 min: Jonas (Moreirense); 1 min: Grimaldo (Nacional); 3 min: Seferovic (Aves); 2 min: Rafa (V. Setúbal);
  • Rafa Silva marcou no jogo 150 na Liga Portuguesa: 115 a titular; 29 golos; 17 assistências; 1 título; 88 jogos pelo SC Braga; 62 jogos pelo Benfica; Estreia em 2013, lançado por Jesualdo Ferreira;
  • Falharam penalti pelo Benfica na Liga NOS 2018/19: Ferreyra, Salvio e Pizzi;
  • Rafa Silva bisa pela 2.ª vez esta época: Chaves, V. Setúbal;
  • João Félix fez 2 assistências no mesmo jogo pela 1.ª vez na equipa principal do Benfica. No total, João Félix tem 7 assistências esta época;
  • 11.º golo de João Félix neste campeonato, o 16.º da temporada. João Félix esteve presente nos 7 últimos jogos marcados pelo Benfica (4 assistências e 3 assistências);
  • Participação de João Félix nos 7 últimos golos do Benfica (Frankfurt e V. Setúbal): 4 golos, 3 assistências;
  • Pizzi fez a 20.ª assistência da época, a 16.ª na Liga;
  • 23.º golo da época para Seferovic, o 19.º na Liga. Seferovic marca na Liga há 3 jogos;
  • 3.º jogo consecutivo que o Benfica marca 4 golos, no 2.º jogo seguido que vence por 4x2;
  • Nos 14 jogos que o Benfica leva na Liga sob orientação de Bruno Lage, os encarnados marcaram 4 ou + golos por 8 vezes (57% dos jogos);
  • O Benfica chegou aos 81 golos na Liga, mais do que em todo o último campeonato (apontou 80);
  • À 29.ª jornada, o Benfica chegou (e ultrapassou) os 80 golos na Liga: não atingia este registo concretizador tão rápido na competição desde 1983/84 (demorou 27 jogos a chegar aos 80 golos);
  • O Benfica já sofreu 26 golos neste campeonato, o registo + elevado dos encarnados na prova desde 2011/12. Golos sofridos pelo Benfica na Liga desde 2011/12: 2011/12: 27; 2012/13: 20; 2013/14: 18; 2014/15: 16; 2015/16: 22; 2016/17: 18; 2017/18: 22; 2018/19: 26;
  • O Benfica é a equipa que mais golos marcou nos primeiros 15 minutos de jogo na Liga: 9 BENFICA; 8 Moreirense; 7 V. Guimarães, Portimonense, Sporting;
  • Pizzi falhou a sua 2.ª grande penalidade pelo Benfica, em 8 tentativas. Penáltis falhados por Pizzi no Benfica: 2016/17 V. Guimarães (Taça Liga); 2018/19 V. Setúbal (Liga);
  • O Benfica é a equipa com + penaltis falhados na Liga NOS: 3 Benfica; 2 Portimonense, Chaves.
  • Rafa Silva apontou o 6.º bis da carreira, o 2.º pelo Benfica, ambos esta época. Rafa Silva já tinha bisado frente ao V. Setúbal: foi em 2015/16, ao serviço do SC Braga.

Multimédia

Eleição do MVP

Talking Points

Preparámos uma lista de temas para conversas sobre este jogo, mas estejam à vontade para passar por cima dela, ou pegar num ou alguns, e apresentar as tuas observações e expressar opiniões:
  1. O resultado foi justo? Na tua opinião, o que faltou à equipa para alcançar um resultado ou exibição melhor?
  2. Está satisfeito com a resposta da equipa hoje? Qual foi o aspeto do jogo que mais te impressionou?
  3. Com o benefício da visão a posteriori, que alterações farias ao 11 inicial?
  4. Em retrospetiva, o que farias diferente ao longo do jogo? Como avalia os critérios de substituição? Trouxeram algo diferente ao jogo?
  5. Qual foi o jogador que mais se destacou com a camisola do SL Benfica? Nessa nota, quem foi a maior deceção?
  6. Quais são os aspetos positivos que o SL Benfica pode tirar deste jogo?
  7. Enfrentaremos o Eintracht Frankfurt na próxima partida, no Commerzbank-Arena, em jogo a contar para a 2.ª rodada dos quartos-de-final da UEFA Europa League 2018/9. Quais as perspetivas?

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2019.03.04 00:14 Manner1918 Nação Livre Brasileira

-Contexto: Estou escrevendo este livro por causa de um devaneio. Estou procurando criticas tanto positivas quanto negativas sobre esta escrita.Para ter um contexto geral antes da leitura, esse livro se passa em um mundo alternativo onde a Alemanha ganhou a Segunda Guerra Mundial, os nazistas também invadiram o Brasil e a tornaram em um estado fantoche a serviço da Alemanha.
Ainda não fiz nenhuma personagem no livro explicar sobre esse evento, ou como eles ganharam a guerra, mas já tenho as ideias principais anotadas em um caderno e tudo vai ser bem explicado. Se você tiver qualquer dúvida sobre o porque eu não dei muitos detalhes sobre qualquer coisa (a casa, as características de personagens, roupas, etc) é porque eu decidi não explicar no momento que a cena acontece, mas vou detalhando sobre tudo ao decorrer do livro.
-Importante: Só estou postando o primeiro capitulo do livro, apesar de ser mais de 3000 palavras. Já escrevi o inicio do segundo capitulo, mas está incompleto.Sinto muito por qualquer erro de português. E sinto muito por ser longo, mas vamos ao inicio do livro:


Eram cinco da manhã, Amélia tinha passado a noite acordada já que sua insônia tinha lhe mantida acordada novamente. Ela virava de um lado para outro na cama, agitava seu cabelo negro e liso que vinha até seus ombros, girava e apalpava seu travesseiro, tentando conseguir dormir ao mínimo alguns minutos. Mas foi tudo em vão e logo ela começava a pensar, enquanto desistia de culpar a sua cama pela insônia, pensava sobre como ela ainda não tinha um pingo de sono e enquanto olhava para o teto de seu quarto, pensava novamente em seus avós, como toda manhã, e como ela sentia saudades deles, de suas risadas, conselhos, puxadas de orelhas e, sobretudo, o cheiro do bolo de chocolate que seu avô fazia enquanto ela escutava as músicas que sua avó ouvia enquanto alimentava seus belíssimos pássaros. A sua avó adorava pássaros, e ela os tinha de todas as cores e espécies que ela poderia se lembrar, ela se lembrava do periquito azul, do canário amarelo, da calopsita cinza, da andorinha branca e um pássaro peculiar que parecia um pequeno pavão, da qual Amélia adorava como parte de sua família e até nomeará o pequeno pássaro como Fênix.
Os avós de Amélia tinham saído do país para viajar, isso de acordo com seus pais que tinham recebido uma carta no mês passado, na carta eles citam que iriam para um lugar muito longe e muito bonito, para Amélia, este lugar só poderia estar cheio de pássaros e bolos de chocolate. Mas, ao se tocar da realidade, ela cortou o seu sorriso da cara ao lembrar que eles nunca escreveram novamente, nem mesmo uma carta ou cartão postal. Ela pensava se tinha feito algo de errado antes deles partirem, talvez tenha sido o quadro do vovô que ela tinha derrubado ao brincar de astronauta no quarto de seus avós, ou talvez o vovô tenha ficado bravo com ela por ela derrubar o fermento, fazendo que o bolo do vovô não tenha crescido, ou poderia ter sido a gota d’água ela ter desligado a música da vovó acidentalmente em seu aniversário de seis anos. Ou talvez ela não era uma boa ouvinte dos conselhos, talvez ela nem merecesse os ouvir, ela não se sentia corajosa como sua avó, ou astuta como seu avô, pensando bem, ela não se sentia nem forte, nem observadora, ou dedicada, focada, e até mesmo inteligente como seus avós. Como toda manhã, ela pensava novamente em outro e novo motivo que poderia justificar a viajem e a não comunicação com ela por parte de seus avós, e hoje, ela pensava que poderia ser a sua gula, talvez se ela não tivesse pedido mais um pedaço de bolo no aniversário de oito anos, eles poderiam ter ficado.
Em todos estes pensamentos, ela notou que seus pais finalmente acordaram, na noite passada eles combinaram de acordar mais cedo para se arrumarem, ela se sentia sozinha com seus pensamentos a noite inteira por causa de sua insônia, ela vira para seu relógio de pilha que marcava seis em ponto, em breve ela teria que ir rapidamente a rua na frente de sua casa, precisando estar com cabelo e roupas arrumadas, e portando um sentimento de foco, força e determinação. Ela sentia dificuldade em todas as etapas, como iria arrumar o cabelo se ele sempre ficava mais alto na parte direita?, como iria arrumar a sua roupa, se ela se sentia desconfortável com a calça e o tênis verdes?, ela odiava os tênis verdes, como iria se levantar com foco, se quando levantava o sono lhe atacava com seus grilhões fortes? como iria sentir força se ela era tão magra em comparação aos seus pais e avós? E, como iria se sentir determinada, se ela deveria ser o motivo para seus avós partirem em uma viajem para outro país que parecia durar para sempre? As seis e quinze, o relógio despertava, ela conseguia ouvir o bairro inteiro se levantando em um pulo, ela queria ter essa força de vontade como os outros, principalmente a força de vontade de seu vizinho que ela nunca virá ficar triste ou desanimado, quem conseguia ficar animado de manhã? Ela pensava consigo mesma. Finalmente, seus pais batem na porta de seu quarto.
-Vamos logo Amélia, não se perca no horário novamente mocinha.
Dizia o seu pai, quase gritando. Ela tinha perdido o horário no dia anterior e enfureceu o seu pai e ela teve que ficar sem ler a parte do jornal que continha as tirinhas que ela adorava, do Capitão Hound, ela não queria perder mais um dia de suas aventuras no espaço. Levantando em seu ritmo e motivada pelas tirinhas que iria ler no fim do dia, pegou em seu armário as suas roupas e as vestiu sem ligar a luz de seu quarto, ela então olhava no espelho e tentava seu arrumar o máximo possível para não desapontar seus pais e finalmente sai do quarto e vai de encontro aos seus pais na sala de estar, ela via o seu pai terminando de se arrumar, ele tinha comprado uma gravata nova após tanto reclamar por falta de uma por quase um mês inteirinho, e reclamava por sempre estar passando vergonha na frente de seus vizinhos que tinham uma gravata nova quase toda semana, mas, dessa vez, ele iria impressionar com a gravata marrom escura de veludo nova, que combinava com seus cabelos e olhos castanhos, mas não tanto com a barba, pensava Amélia. Sua mãe estava otimista com seu cabelo, eles eram cacheados e escuros e todo dia pareciam ser diferentes após o banho e quase nunca à agradavam, mas hoje ela estava contente com o resultado que havia conseguido. O pai de Amélia checava em seu relógio de pulso a cada segundo para estar na rua de sua casa na hora certa, andava de um lado para outro em frente a porta, confiante com sua gravata de veludo.
-Eu sempre fico ansioso, não importa quantas vezes eu faça, ou quão pronto eu esteja, ou acho que esteja. Disse o pai de Amélia sem parar um segundo para respirar.
-Acho que nós já se acostumamos, a Amélia já está aqui e não irá cometer o erro de ontem, aquilo foi um show de horror. Sua mãe falava enquanto arrumava os seus brincos e olhando para a televisão em estática.
-Eu já pedi desculpas, eu só estava pensando no vovô e na vovó novamente e me atrasei, já chegou alguma carta deles mamãe? Amélia sempre tinha um pingo de esperança pela manhã, em que sua mãe lhe diria que havia chegado uma carta de seus avós.
-Já lhe disse para não comentar sobre seus avós, vamos deixar eles aproveitarem a viajem, também não podemos enviar cartas a eles, não sabemos o endereço correto e não podemos fica-
Enquanto sua mãe falava, seu pai a interrompe com um gesto de corte com a mão, e querendo desligar o assunto dos pais de sua esposa, que ele não gostava tanto por um motivo que Amélia não sabia.
-Pedir desculpas não adianta, o que move o nosso país e o mundo são ações, não palavras, você sabe muito bem mocinha, já lhe contamos essa história um milhão de vezes, não precisamos te falar o quão importante é que você sempre esteja na hora, esteja com foco, força e...
-Determinação. Completava Amélia a frase de seu pai com a cabeça baixa, olhando para os seus tênis verdes que tanto odiava.
-Agora, vamos continuar esperando a hora certa, a televisão já está no volume máximo, se o relógio não funcionar, temos a televi... – A fala de seu pai é cortada pelo despertador do relógio de pulso, mostrando que de fato eram sete horas da manhã, ele então desliga o despertador e abre a porta de sua casa com um grande sorriso no rosto, que, para ele mostrava sua força e determinação para continuar o dia e estar na hora exata todo dia seria uma grande demonstração de foco e ele se orgulhava nisso. Sua mãe acompanhou o marido enquanto puxava Amélia pelo ombro para lhe seguir, sua mãe sempre estava de cabeça erguida as sete da manhã, isto mostrava sua determinação, estar com sua filha mostrava o seu foco como mãe, já a sua força era refletida na saúde total de seu marido e sua filha. Amélia sentia que por conseguir levantar de manhã e não desmaiar de sono, era seu foco, aguentar seus pais com esses horários era sua força e, conseguir andar parecendo ridícula com aqueles tênis verdes, eram sua determinação.
Finalmente, os homens de cada casa começavam a elevar a bandeira nos mastros que todas as casas tinham exatamente alinhada, uma bandeira verde, amarela, com um círculo azul no meio e uma grande suástica branca com bordas pretas no meio desse círculo e dentro da suástica possuía em preto a frase “Foco, Força e Determinação”. Com a bandeira no topo, todos levantavam seus braços direitos em direção a bandeira e começavam a cantar o Hino da Nação Livre Brasileira.
Enquanto Amélia cantava o hino, acompanhando o ritmo do hino que estava sendo tocado na televisão da maioria das casas e nas rádios das outras casas, ela olhava ao seu redor, via que todos nunca tiravam os olhos da bandeira, não piscavam ou sequer moviam seus braços estendidos, e se questionava se ela também deveria estar sempre assim, mas ela não aguentava mais estar de pé cedo todos os dias, mesmo que sua insônia lhe mantivesse acordada a noite inteira. Ela olhava o seu vizinho que nunca virá ficar triste, um menino mais velho que Amélia, de cabelos curtos, lisos e loiros, chamado de Arthur Von Müller Hoff Braun, e ele, como toda sua família se orgulhava imensamente de ser totalmente alemão, o pai de Amélia tinha feito uma amizade quase duradoura com essa família. Já do outro lado da rua, ela via diversas crianças quase da mesma idade que ela, mas ela não tinha conhecimento de quase ninguém, ela tentava imaginar os nomes dessas crianças, do que elas gostavam de comer aos Sábados, se elas gostavam de bolo de chocolate, como deveria ser o quarto delas, imaginava se eles tinham uma televisão em casa ou um rádio, de quais desenhos eles mais gostavam, se eles eram alemães, ou italianos, japoneses ou brasileiros e, pensava também como os tênis de outras crianças eram incrivelmente mais legais do que os dela e ainda por cima, pareciam muito mais confortáveis do que os tênis verdes dela. No meio dessas famílias desconhecidas, ela via a sua única amiga da escola, uma menina de cabelos escuros e olhos claros, chamada de Rúbia, Amélia adorava esse nome, por achar muito diferente do que todos que já tinha ouvido na vida e, diferentemente das outras crianças, ela sabia quase tudo sobre Rúbia, começando pelo nome, o que ela gostava de comer aos Sábados, se ela tinha uma televisão, quais desenhos ela gostava e tudo mais. Rúbia não vinha de uma família muito rica, ela tinha exatamente tudo para ter uma boa vida, mas não tinham uma televisão, o que o pai de Amélia achava estranho e dizia que era algo que somente pessoas pobres e sem cultura não teriam uma televisão em casa, mas, a família de Rúbia tinha um rádio que precisava ser ligado em uma tomada, esse rádio não era um orgulho dos pais de Rúbia, mas Amélia achava o rádio incrível, por ser grande, quase do seu tamanho e não precisar comprar pilas quase toda semana, o que ela achava uma inconveniência enorme, além de ser muito bonito por ter um pedaço feito com couro de verdade, apesar de Amélia não saber exatamente de onde o couro vinha. Amélia tinha conhecido Rúbia após precisar de ajuda em História da Alemanha no segundo ano da escola, Rúbia ajudou Amélia em quase todos os aspectos da história alemã e ambas conseguiram notas máximas na última prova do ano escolar e, desde então, ficaram amigas para “todo mundo, para sempre e adiante”, como Amélia sempre dizia.
O hino tinha finalmente acabado, todas as famílias iam para dentro de casa após dobrar a bandeira, o pai de Amélia andava de peito estufado para que todos olhassem a sua gravata de veludo, enquanto ele ia retirar a bandeira para a hastear no próximo dia, já sua mãe foi em direção da família dos Von Müller para conseguir se atualizar nas conversas, já que no dia anterior não conseguiram conversar por causa do atraso de Amélia para cantar o hino nacional. Amélia estava ajudando o seu pai a retirar e dobrar a bandeira do Brasil.
-Filha, por favor, tente manter contato visual com a bandeira, você sabe que todo mundo faz isto.Dizia o seu pai quase sussurrando para Amélia.
-Eu... estava só olhando ao redor, a bandeira não ia sair dali pai. Você nunca fez isto quando criança?
-Se fiz, fui repreendido pelos meus pais, o mesmo que estou fazendo com você. Então eu espero que você siga o meu caminho e me obedeça. Amanhã olhe diretamente para a bandeira e não tire seus olhos dela, fui claro mocinha?
-Tudo bem pai, sinto muito. Disse Amélia com um tom deprimido, olhando novamente para seus tênis verdes. Ela imaginava se deveria contar ao seu pai que o tamanho que ele comprará estava errado, ou se ela deveria aguentar até o próximo ano, quando seu pai poderia comprar-lhe outro tênis, seu pai tinha guardado dinheiro para comprar a Amélia um tênis da marca Griffin, considerado um dos melhores de acordo com o programa de moda alemã que sua mãe tinha visto no ano anterior. Talvez seu pai fosse brigar com ela ou dizer que ela está maluca por não gostar de um tênis tão caro e de marca alemã. Com isto em mente, ela decidiu não falar nada para seu pai, e pensava que no ano seguinte, ele iria lhe comprar um tênis melhor, apesar que tinha medo que seu pai comprasse novamente um tênis que não lhe serviria.
Ela tinha terminado de ajudar seu pai com a bandeira, guardando-a em uma caixa de madeira ao lado da caixa de correio, e em um piscar de olhos seu pai foi para dentro de casa se arrumar para o trabalho e, se conseguisse se arrumar rápido ele conseguiria ver o noticiário da manhã que iria começar as sete e meia da manhã, exatamente a hora em que o hino nacional iria parar de tocar nas televisões e nas rádios. Amélia decide entrar em casa e checar novamente seu material escolar antes da aula, seria a terceira vez que iria fazer isso, já que, de madrugada ela tinha checado duas vezes por não conseguir dormir. Ela conta quantos lápis possui, quantas canetas, até tentou contar quantas folhas tinham em seu livro didático e em seu caderno, mas desistiu quando a contagem chegou a cinquenta e sete e meio, já que ela tinha rasgado uma página do seu caderno no meio para poder desenhar o Capitão Hound e ela juntos em uma aventura longe da sua casa, longe do bairro, longe da escola, longe do Brasil, longe de tudo e todos; Quanto Rúbia viu o desenho, pediu para estar junto com ela, Rúbia admirava os desenhos que Amélia conseguia fazer, ela tinha guardado em casa um desenho de Amélia, sobre uma noite estrelada dentro dos olhos de Rúbia. O desenho com ela, Rúbia e o Capitão Hound estava guardado perto do espelho de seu armário marrom, onde ela poderia ver toda manhã.
Ela escutou o som do jornal sendo jogado contra à porta, ela estava animada para poder ler o quadrinho novo do Capitão Hound, mas sabia que só poderia ler quando seu pai terminasse de ler todas as notícias, o que só acontecia ao anoitecer, mas ela não se importava com isso, porque ela sabia que o Capitão Hound estaria ali a noite para conceder uma proteção vinda do espaço e além. Ela saiu de seu quarto para o corredor, sua mãe ainda não tinha voltado para casa, com certeza a conversa com a vizinha deveria estar muito emocionante, ela pensou consigo mesma. Seu pai veio logo em seguida arrumando uma gravata antiga que ele possuía, com certeza ele só utilizaria a gravata de veludo na hora do hino, ou talvez em alguma outra ocasião importante, como quando sua mãe faria Schnitzel em algum jantar futuro, o pai de Amélia amava Schnitzel, ele abriu a porta da frente e pegou o jornal acenando para alguns vizinhos que estavam na rua, ele logo entrou em casa e guardou o jornal no topo do armário da sala, onde Amélia não alcançava de jeito algum, e ela tinha parado de tentar quando quase quebrou o braço se equilibrando em uma cadeira, querendo mostrar as tirinhas para Rúbia em uma tarde de Sábado. Seu pai então se sentou no sofá da sala e começou a ver o noticiário da manhã, ela se sentou no chão em cima do tapete branco e felpudo para esperar os desenhos as oito da manhã. Ela estava lá em corpo, mas sua mente sempre estava fervendo com novos pensamentos, ela se imaginava comendo novamente um bolo de chocolate de seu avô e vendo o álbum de fotos da vovó, que ela nunca tinha visto por completo, já que sempre começavam a ver tudo novamente toda vez que iam ver as fotos no fim da tarde, e na metade do álbum seu pai sempre chegava para lhe trazer para casa, a vovó sempre tinha histórias novas para contar, mesmo que as fotos eram as mesmas, apesar de Amélia não entender muito bem sobre o que a vovó falava, um tempo em que você não precisava acordar de manhã para cantar o hino, um tempo em que você não tinha toque de recolher, um tempo com o que a vovó chamava de liberdade. O que a vovó queria dizer com liberdade? Amélia nunca tinha visto algo além de sua casa, sua rua, sua escola, a casa de seus avós e o espaço sideral com o Capitão Hound. O pensamento de Amélia foi puxado de novo para o presente quando ela ouviu a televisão dar um alto som do noticiário, e um grito de espanto do papai.
-MINHA NOSSA. Gritou o pai de Amélia.
-Caros telespectadores, é com pesar que anunciamos um ataque terrorista novamente perto da Capital, os terroristas plantaram uma bomba na Praça da Liberdade e acabaram matando dois estudantes da Juventude Hitlerista e um político de alta patente que o nome não será relevado para maior segurança de seus familiares. Estes terroristas são inimigos declarados do Reich e do Brasil Livre, mantenham seus olhos abertos, seus vizinhos podem ser inimigos da nossa nação e da nação alemã, não se esqueçam de denunciar a qualquer autoridade sobre atividades suspeitas ligadas a terrorismo e ligações com tentativas de criar o fim da liberdade de nosso povo e da nossa grande nação. O nosso grande líder Heinrich Hitler II, fará um pronunciamento para a o Reich Alemão devido ao alto número de terroristas nesse ano, este pronunciamento irá ocorrer com intenção de unir a nossa grande nação em uma só causa. O pronunciamento será transmitido as oito da noite, no programa ReichZeit, ou Hora do Reich.Traremos mais notícias sobre o incidente assim que tivermos quaisquer novidades. Voltamos a programação normal. Heil Hitler.
Amélia só tinha visto aquele repórter uma vez na televisão, mas ela sabia que quando ele aparecia não era uma boa notícia, e o seu pai tinha sempre grandes ataques de ansiedade com notícias fortes e alarmantes. Enquanto o repórter falava, imagens da Praça da Liberdade eram mostradas, apesar de Amélia nunca ter visto a praça antes, ela sabia que não era daquele modo que deveria estar, com fogo, ruínas e ambulâncias por todo lado.
-Minha nossa, eu não posso acreditar que ocorreu novamente, deve ser a quinta ou sexta vez que está acontecendo isto. Como isto está acontecendo, como pode estar acontecendo? Meus vizinhos podem ser inimigos? Não só inimigos da nação, mas inimigos da minha liberdade e da minha família. Eu tenho que pensar em algo para me proteger e para proteger minha família. Como... quando, eu, posso fazer algo.... eu teria que, bem, eu posso tentar, não, é impossível... só se eu fizer aquilo, mas não, não posso e nem deveria.Seu pai dizia sem piscar ou respirar, a sua ansiedade estava altíssima.
A mãe de Amélia entra na casa correndo, ela deveria ter visto o mesmo noticiário da casa dos Von Müller. Ela se acalma e respira fundo e nota que seu marido está andando de um lado para outro sem parar.
-Acalme-se Luís, com certeza teremos uma repercussão alta pelo pronunciamento do Führer. Ele vai ajeitar tudo. Nós temos que acreditar na nação. Não podemos perder a cabeça, estamos aqui e juntos iremos passar por qualquer situação.A mãe de Amélia conseguira fazer o marido sentar um instante para respirar.
Amélia não conseguia entender a situação completamente, ela sabia quem era o Führer, mas não entendia como os terroristas agiam, ou porque agiam deste modo, ou quem eram. O repórter havia dito que seus vizinhos poderiam ser inimigos, mas como poderiam? Rúbia era sua amiga para todo mundo, para sempre e adiante. E Arthur era inofensivo, um pouco chato, mas inofensivo sem dúvidas, uma vez ela pisou no sapato dele sem querer e ele que pediu desculpas a Amélia. E no fundo, ela se perguntava se esses ditos “terroristas” iriam gostar do bolo de chocolate do seu avô.

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2017.12.13 00:46 fidjudisomada [Pre-Match Thread] Taça de Portugal 2017/18, Oitavos-de-final: Rio Ave FC vs. SL Benfica

Rio Ave Futebol Clube vs. Sport Lisboa e Benfica

Taça de Portugal 2017/18, Oitavos-de-final

Transmissão

Antevisão

RUI VITÓRIA: “VAMOS TER A MESMA EXIGÊNCIA E MESMO QUERER
Rui Vitória lançou o desafio dos oitavos de final da Taça de Portugal com o Rio Ave em conferência de Imprensa realizada no Estádio da Luz. Espera um jogo bem disputado e que será difícil para ambos os emblemas.
“Vamos encontrar uma equipa de qualidade e sabemos que uma delas vai ter de ser eliminada. Sabemos que este jogo é fundamental, frente a uma das boas equipas do campeonato, com características muito bem vincadas. Para contrariar isso temos de impor a nossa forma de jogar e olharmos para nós. Vai ser um jogo bem disputado, com uma equipa que circula bem a bola e tem bom jogo interior. Tem jovens de qualidade na frente e joga com as linhas subidas. Vai ser um jogo interessante de seguir. Vai ser complicado para nós e para o Rio Ave”, analisou o técnico.
Desafiado a revelar qual o guarda-redes que vai a jogo, o treinador não abriu o livro, mas assegurou que não há uma regra fixa.
“Se olharmos para a minha folha de serviço percebe-se que não há regras se tem de jogar um numa competição e outro noutra. Se entendermos que é um jogador que tem condições para jogar, joga. Não há uma regra definida. Logo se vê quem vai jogar. Não há um ciclo fechado que um joga aqui e outro ali”, sublinhou.
Depois do Estoril para a Liga NOS, segue-se o Rio Ave para a Taça de Portugal. O mercado de transferências de inverno ainda está longe e Rui Vitória não quer distrações.
“Este vai ser o segundo jogo num ciclo de semana e meia. Foco grande em querer ganhar. Janeiro é a seguir, mas antes ainda há Natal e Ano Novo. No dia 31 de janeiro faz-se negócios quase até à última e é prematuro falar nesse assunto. As decisões que tiverem de ser tomadas serão em consonância com a administração. O lote de jogadores que tenho atualmente deu para escolher 20 para os convocados”, observou.
E prosseguiu, ainda sobre o tema do mercado de transferências: “Certezas não tenho, porque no futebol não se podem dizer coisas de forma tão taxativa. Há ideias, mas não significa nada. Estamos a falar numa altura prematura da época, isso terá o seu tempo e espaço para ser intervencionado. Agora é tempo de competição, com três jogos deveras importantes.”
O treinador benfiquista refutou qualquer possibilidade de a eliminação na Liga dos Campeões ajudar ou prejudicar nas restantes provas em disputa.
“No ano passado superámos a fase de grupos e fomos à final da Taça de Portugal. A exigência não sobe ou desce por não estarmos na Champions. Vamos ter a mesma exigência e o mesmo querer ganhar, respeitando o adversário. O Rio Ave também vai querer vencer”, disse.
Os jogos da Taça de Portugal têm a sua particularidade e isso pode influenciar a forma como o adversário aborda a partida. O Benfica, por sua vez, só pensa em vencer independentemente da prova.
“Quando estamos a trabalhar num clube como o Benfica, o foco é a vitória, seja pelos três pontos, seja pela passagem na eliminatória. Estes jogos têm impacto nos jogadores das outras equipas, porque há prolongamento ou penáltis. Há variáveis que não se equacionam no campeonato. Na Taça de Portugal, o foco tem de ser ganhar e no campeonato, frente ao Benfica, nem sempre se pensa em vencer. Na nossa perspetiva pensamos sempre no mesmo: ganhar”, reforçou.
O sistema 4x3x3 tem usado Jonas como homem mais adiantado, deixando Raúl ou Seferović de fora. Rui Vitória desvaloriza esse facto e recorda que no sistema 4x4x2 também ficavam médios fora das opções.
“Quando utilizámos o sistema de dois médios também tínhamos seis/sete médios e alguns também não tinham o seu espaço. Em relação aos três avançados… São jogadores que têm percebido o momento que estamos a viver no campeonato e de progressão nas provas nacionais. O Jonas tem sido quem tem jogado e correspondido com golos. É uma questão de oportunidade, de momento. Todos são inteligentes, todos gostam de jogar. Têm trabalhado muito bem no processo de treino”, revelou.
João Félix renovou contrato com o Benfica por mais quatro anos. O técnico assumiu que o jovem faz parte de um vasto lote de futebolistas sob observação.
“Não tenho problemas em falar do João Félix, mas não quero particularizar, porque há um conjunto de jogadores com potencial para representar a equipa principal no futuro. O João integra um lote de jogadores com esse potencial. Se a evolução dele e dos outros for como pensamos, haverá muitos que poderão chegar à equipa principal. O João integra esse lote alargado de jogadores. Tenho debaixo da minha alçada cerca de 20 jogadores em observação na Formação do Clube. Nem todos lá vão chegar”, explicou.
O Rio Ave-Benfica tem início agendado para as 21h00 de quarta-feira, no Estádio do Rio Ave.

Histórico

TAÇA DE PORTUGAL: BENFICA SÓ SABE VENCER EM CASA DO RIO AVE
Recordar é viver, já dizia Vítor Espadinha na canção com o mesmo título. Antes de novo jogo que coloca o Rio Ave e o Benfica cara a cara, entre na viagem que passa pelos três jogos realizados pelos dois emblemas para a Taça de Portugal no estádio dos vila-condenses. O encontro de quarta-feira, às 21h00, referente aos oitavos de final, é o quarto entre Rio Ave e Benfica numa competição em que as águias conseguiram sempre levaram a melhor e avançar para a eliminatória seguinte.
1989/90: Rio Ave-Benfica, 1-4, 32 avos de final
Sob o comando de Sven-Göran Eriksson, o Benfica puxou dos galões e rapidamente se colocou em vantagem. Quase sem poupanças no onze – apesar de o Rio Ave militar nas divisões inferiores –, as águias começaram com nomes como Silvino, Veloso, Diamantino, Thern, Vítor Paneira, Valdo, Vata, Magnusson… O primeiro golo, aos 21’, foi apontado por Vata. Os da casa empataram por Karim, mas Magnusson (com um bis) e Samuel fizeram o resto.
1992/93: Rio Ave-Benfica, 1-3, 5.ª eliminatória
Na caminhada rumo à conquista de mais uma Taça de Portugal (5-2 ao Boavista na final), o Benfica viajou até Vila do Conde onde eliminou o Rio Ave, por 1-3. Num plantel onde pontificavam Kulkov, Vítor Paneira, Paulo Sousa, Rui Costa, João Vieira Pinto, Rui Águas, Isaías, Yuran – Futre juntar-se-ia mais tarde para brilhar na final do Jamor –, complicado era não ganhar. Kulkov, Hélder e Paneira resolveram antes de Gama reduzir aos 79’.
2010/11: Rio Ave-Benfica, 0-2, Quartos de final
Com os vila-condenses na I Liga, o Benfica sentiu outras dificuldades para seguir em frente. Ainda assim, Óscar Cardozo bisou e atirou as águias para as meias-finais. O Benfica não fez poupanças para este encontro. Houve somente mudança no guarda-redes (Roberto por Júlio César) e no trinco (Airton no lugar de Javi García). De resto, foi possível ver Luisão, David Luiz, Salvio, Aimar, Gaitán, Saviola e Cardozo.

Lista de Convocados

  • Guarda-redes: Svilar e Bruno Varela;
  • Defesas: Lisandro, Grimaldo, Luisão, Jardel e André Almeida;
  • Médios: Fejsa, Filipe Augusto, Samaris, Zivkovic, Salvio, Krovinović, Pizzi, Cervi, Diogo Gonçalves e João Carvalho;
  • Avançados: Raúl, Jonas e Seferovic.

Boletim Clínico

  • Indisponível

XI Provável

Jonas
Cervi Krovinovic Salvio
Fejsa Pizzi
Grimaldo Jardel Luisão(C) André Almeida
Svilar

Talking Points

  • Que jogador terá que fazer acontecer, superar-se a si próprio e embalar a equipa para a vitória?
  • Que jogador ou aspeto do jogo do adversário constitui-se como a maior ameaça para o SL Benfica?
  • Qual é o seu onze inicial, estrutura e dinâmicas preferidos para este jogo?
  • Qual é a sua previsão sobre o resultado final e os marcadores?
Nota: Este texto foi elaborado recorrendo a informações recolhidas no sítio web do SL Benfica.
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2017.01.13 18:08 Zepp_BR [Sem título] Capítulo 1

30 de outubro de 2015 18:36
O Sol estava começando a se pôr de forma espetacular. Sabe aqueles momentos em que você vê que Deus pegou seu kit de aquarela e quis deixar o mundo lindo? Era um desses. As nuvens mais próximas do Sol já estavam com o brilho dourado e seus contos avermelhados enquanto ele começava a se aproximar da linha do horizonte. O céu ainda estava com um azul brilhante, como se o dia estivesse dando suas últimas forças para não acabar. Os raios passavam pelas nuvens como se esticassem tudo ao seu redor, querendo que todas as pessoas que tivessem a chance de ver algo tão espetacular realmente vissem.
E elas deveria estar vendo. Eu não tenho certeza, pois não conseguia tirar os olhos daquela cena. Tudo bem que eu estava quase ficando cego, mas se esse pôr do sol fosse a última coisa que eu visse, eu estaria satisfeito. Pelo menos seria bem melhor do que a última coisa que Matt Murdock viu.
O Sol já estava encostando na linha do horizonte, que na verdade não era a linha do horizonte, mas era do meu horizonte. As montanhas que cercam a cidade de Socorro são relativamente altas, mas só o suficiente para caso houvesse o Dilúvio de novo, desse uma merda muito grande para esses cidadãos da cidade onde Ainda se Vive. Olhei para trás e percebi que eu não era o único a ver o pôr do Sol, na verdade uma quantidade interessante de pessoas estava apontando para ele e sorrindo. Todas elas incrédulas com o espetáculo que estava acontecendo. Todas elas sem medo nenhum de pegar verrugas no dedo por apontarem para uma estrela. Nenhum de nós tinha noção do que estava por vir.
Uma delas não estava apontando para o Sol, nem sorrindo para ele e sim para mim. Era Sara, minha amiga. Sara, para você que está lendo, pode ser descrita como uma loira linda e extremamente inteligente. Ela estava se preparando para fazer mestrado no MIT, aquela universidade estadunidense que todo mundo conhece pela sigla porque falar “Massachusetts Institute of Technology” é um deus nos acuda, então era raro ver ela saindo de sua toca. Eu sabia do passado dela melhor do que do meu. Seu pai morreu em um engavetamento em São Paulo e, em um delírio artístico ela quis que quis construir um foguete para enviar uma carta para ele – quem sou eu para julgar? -. Construiu com a ajuda do padrasto, enviou a carta e agora foi convidada para fazer pesquisa nos EUA. Do lixo ao luxo, não?
Me aproximei dela e a abracei. - Viu isso? – ela me perguntou sorrindo. - Vi sim, parece o prelúdio para o fim do mundo – eu respondi brincando. - Credo! Vira essa boca pra lá! – ela esbravejou dando um tapa leve no meu rosto. - Ei! O rosto é feio, mas é meu! – eu disse entre sorrisos enquanto levava a mão para o meu rosto. - Sabe, toda vez que eu vejo um desses eu morro de vontade de chorar. Eu fico pensando como eu gostaria que meu pai visse essa cena comigo.
Eu parei de sorrir e comecei a olhar. Minha vontade imediata foi de fazer alguma piada sobre isso para aliviar o clima, mas eu sabia que não era a hora certa. Nunca seria a hora certa.
Corri em direção à minha casa e entrei como um relâmpago em meu quarto. Minha casa é interessante. A porta dá de “cara” para a rua, então eu tenho duas portas, uma que é o mosquiteiro (como aquelas casinhas do oeste estadunidense) e a porta normal, que é de vidro, então todo mundo poderia ver o que acontece dentro dela se não fosse por uma cortina que eu tenho por dentro. A janela da sala também dá para a rua, então eu tenho duas vezes mais chances de ouvir você conversando alto enquanto anda por aí. Dessa salinha que tem pouca coisa, mas é linda e decorada com carinho, sai um corredor com um banheiro, uma cozinha do lado direito e um quarto no fundo. A janela do quarto dá para um rio, então à vista é muito bonita à noite com os vagalumes, as capivaras e os fantasmas que perambulam o rio.... ou só os dois primeiros. Da cozinha sai uma pequena porta para a área de serviço, mas isso não é interessante.
Lá, comecei a procurar o que vestiria, fazendo combinações de roupas que poderiam se tornar uma fantasia.. escrota.. mas uma fantasia!
Até que a luz acabou.
Bosta.
Logo que a luz acabou recebi uma ligação no celular, então nem precisei procurar ele para ver a lanterna.
Olhei para o celular e vi que já eram quase dez da noite e, que para melhorar minha vida, meu celular não tinha nem 30% de bateria. Voltei para o quarto, me troquei, comi algo na cozinha e fiquei esperando a ligação do Marcão.
[Está tudo bem incompleto ainda, tenho somente dois capítulos prontos] [EDIT: Tenso editar, vou deixar assim mesmo hahaha]
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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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